O avô paterno da adolescente Marta Isabelle dos Santos, de 16 anos, foi preso na sexta-feira (6), em Porto Velho. O idoso, Manoel José da Silva, é suspeito de omissão de socorro no caso que investiga a morte da jovem. Ele passou por audiência de custódia na manhã deste sábado (7), e a Justiça decidiu manter sua prisão, encaminhando-o ao Centro de Detenção Provisório (CDP), onde permanecerá à disposição da Justiça enquanto o processo segue.
A adolescente foi encontrada morta no dia 24 de fevereiro, deitada em uma cama, coberta por um lençol e usando fralda descartável. O laudo inicial indicou que Marta estava desnutrida, apresentava ossos expostos, ferimentos cheios de larvas e marcas que indicavam que ela passou dias imobilizada. Além do avô, outras três pessoas foram presas preventivamente: Callebe José da Silva, pai da vítima, Benedita Maria da Silva, avó paterna, e Ivanice Farias de Souza, madrasta.
O pai da jovem confessou à polícia que mantinha a filha amarrada todas as noites com fios elétricos. Segundo a polícia, Marta estava há cerca de dois meses sendo mantida presa dentro de casa. A delegada Leisaloma Carvalho informou que a adolescente apresentava lesões com presença de larvas no momento em que foi encontrada. Ela era obrigada a comer restos de comida e estava privada de água e higiene.
O ambiente em que o corpo foi encontrado era considerado insalubre. A família teria tentado eliminar vestígios da situação ao atear fogo em roupas no local. O pai e a madrasta serão indiciados por feminicídio, tortura com resultado morte, cárcere privado, maus-tratos e omissão de socorro. A madrasta tinha conhecimento dos fatos e também participava das agressões, segundo a delegada.
A delegada descreveu o pai da adolescente como ciumento. Ele retirou Marta da escola há quase três anos, alegando que iria transferi-la para a Paraíba, isolando-a de qualquer convívio social. A Polícia Civil continua analisando os elementos do caso para desvendar todas as circunstâncias da morte da jovem.
Marta Isabelle dos Santos, conhecida como Martinha, gostava de cantar na igreja e sonhava em terminar os estudos. Ela morava com o pai e a madrasta em Rondônia, enquanto o restante da família vive na Paraíba. A tia de Marta relatou que a jovem nasceu na Paraíba e foi morar com o pai em Rondônia ainda criança. O contato entre elas diminuiu desde agosto de 2020, quando foi tirada a última foto juntas. Um vídeo divulgado nas redes sociais mostra a adolescente cantando durante um culto, sendo este o último registro em vida ao qual a família teve acesso.
A tia afirmou que Marta era querida por todos e que ninguém tinha conhecimento das agressões. “Martinha era muito amada. Sonhava em estudar, terminar os estudos e construir um futuro. Nada justifica o que fizeram com ela”, disse.

