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Kleber Mendonça Filho fala sobre ‘O Agente Secreto’ e o cinema brasileiro

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

Kleber Mendonça Filho, diretor de ‘O Agente Secreto’, comentou sobre a trajetória do filme desde sua estreia no Festival de Cannes em maio de 2025 até a cerimônia do Oscar, que ocorrerá neste domingo, 15. O thriller político, ambientado em 1977 durante a ditadura militar, já conquistou mais de setenta prêmios ao redor do mundo e concorre a estatuetas em quatro categorias: melhor filme, filme internacional, ator para Wagner Moura e direção de elenco.

Em entrevista, Mendonça Filho explicou a ausência da artesã Tânia Maria, que não poderá comparecer ao Oscar devido a um tratamento. O cineasta, que tem viajado entre Londres, Paris e Los Angeles, falou sobre as questões políticas que cercam o longa e a evolução do cinema brasileiro nos últimos anos. Ele destacou que a produção cinematográfica tem se tornado cada vez mais diversa, especialmente após a década de 2000, quando políticas públicas começaram a favorecer realizadores de diferentes regiões do Brasil.

O diretor afirmou que o sucesso de ‘O Agente Secreto’ é resultado de um trabalho coletivo que começou há anos, mencionando filmes como ‘Retratos Fantasmas’, ‘Bacurau’ e ‘Aquarius’ como parte dessa construção. Ele também comentou que seu filme não é uma resposta a ‘Ainda Estou Aqui’, pois foi finalizado antes de assistir ao filme, mas sim uma contribuição a uma cinematografia que aborda a ditadura de maneiras distintas.

Mendonça Filho refletiu sobre a frase de Wagner Moura, que ironizou que ‘O Agente Secreto’ só foi realizado por causa do ex-presidente Jair Bolsonaro. O cineasta reconheceu que, de certa forma, a atmosfera política dos últimos anos influenciou sua escrita, mas não chegou a agradecer ao ex-presidente. Ele ressaltou a importância dos prêmios e indicações ao Oscar, que têm um impacto social e cultural significativo.

Sobre a campanha para o Oscar, ele afirmou que não se sente exausto, pois consegue descansar bem entre as viagens. O diretor também mencionou que está aberto a novos projetos, mas que ainda não encontrou algo que o atraísse, descartando a possibilidade de dirigir grandes produções de estúdio.

Em relação ao uso de inteligência artificial na criação cinematográfica, Mendonça Filho expressou sua objeção, afirmando que nenhuma ferramenta de IA pode compreender a complexidade do passado do Brasil de sua perspectiva. Ele também comentou sobre a recepção crítica de ‘O Agente Secreto’, notando que algumas críticas negativas são reações à polarização atual da sociedade brasileira.

Por fim, o diretor abordou a questão da compreensão cultural em seus filmes, defendendo que o público deve estar aberto a diferentes narrativas e contextos, sem a necessidade de explicações didáticas. ‘O Agente Secreto’ estreou recentemente na Netflix, após seu sucesso nas salas de cinema, e o cineasta ponderou sobre o futuro da experiência cinematográfica diante da expansão do streaming.

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