Um vídeo exibido no programa Fantástico, no dia 16 de março de 2026, mostra um ladrão roubando módulos de quatro motocicletas em menos de um minuto, em plena luz do dia, em São Paulo.
As imagens, capturadas por câmeras de segurança, foram gravadas por volta das 9h30 de uma terça-feira. O suspeito circula pela rua, escolhe as motos estacionadas e, em poucos segundos, levanta o banco, quebra a trava e retira o módulo eletrônico antes de seguir para a próxima moto.
O módulo é considerado o “cérebro” da motocicleta. Sem esse equipamento, a moto não funciona. “Ele gerencia todo o funcionamento da motocicleta. Sem ele, o motor não funciona. É como tentar ligar a moto sem a chave”, explica o mecânico Alexandre Sauro.
Motociclistas que dependem da moto para trabalhar relatam que esse tipo de furto se tornou comum. “Direto. Vira e mexe, o cara tenta ligar a moto, não consegue, vai ver tá sem o módulo”, conta o motoqueiro Carlos Barros.
Não há números oficiais sobre quantos módulos são furtados diariamente, pois muitas vítimas não registram boletim de ocorrência. No entanto, empresas que operam câmeras de segurança em São Paulo apontam que ocorrem pelo menos três casos diários.
O entregador Bruno Henrique relata que ele e seu irmão já foram vítimas desse crime. Além de interromper a rotina, o furto traz um custo elevado para recolocar a moto em circulação, com módulos novos custando entre R$ 1.200 e R$ 8.000, dependendo da marca e cilindrada.
A retirada do módulo é um procedimento simples para os criminosos, que quebram a trava plástica do banco, puxam o chicote e desplugam a peça. “Sai facilmente. Não tem mistério nenhum pra eles”, descreve Alexandre.
Motociclistas tentam adaptar proteções por conta própria, como esconder o módulo “debaixo do tanque” ou usar protetores de ferro. A investigação sobre a origem dos módulos furtados enfrenta limitações técnicas, pois módulos de baixa cilindrada, comuns entre entregadores, não costumam ter identificação digital vinculada ao veículo, facilitando a revenda clandestina.
O delegado Arnaldo Rocha Júnior, da Polícia Civil de SP, afirma que a demanda por módulos mais baratos alimenta o problema, levando vítimas a buscar alternativas irregulares. O motoqueiro Marcos Cardoso admite o dilema: “Você vai achar por R$ 250, R$ 300, mas eu poderia estar comprando o módulo meu que foi roubado.”


