Os laudos periciais da investigação da morte da PM Gisele Alves Santana, de 32 anos, apontam a presença de sangue nas roupas do tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, principal suspeito do crime. Ele foi preso preventivamente na manhã desta quarta-feira, 18 de março de 2026.
O documento indica que houve alteração da cena do crime para dar a impressão de suicídio. Durante o atendimento da ocorrência, Geraldo expressou a intenção de tomar banho e trocar de roupa, apesar de ser advertido pelos policiais para não fazê-lo. Ele insistiu em sua vontade, alegando sua posição hierárquica.
Além disso, foram encontrados vestígios de sangue no banheiro do imóvel onde o tenente-coronel tomou banho após a chegada das equipes de socorro, o que reforça a hipótese de manipulação de evidências. A investigação também revela que Geraldo teria praticado atos de violência física, psicológica e patrimonial contra Gisele ao longo do relacionamento.
Geraldo Leite Rosa Neto foi detido em sua residência em São José dos Campos, interior de São Paulo, e será levado à delegacia responsável pelo caso, na zona Leste da capital, para interrogatório e indiciamento, aguardando a decisão do Poder Judiciário. O Ministério Público e o Judiciário devem apreciar o pedido de prisão.
A Corregedoria da Polícia Militar também solicitou a prisão do oficial à Justiça Militar estadual, com base nos mesmos delitos e em violência doméstica. Após o interrogatório, Geraldo passará por exames de corpo de delito e será encaminhado ao Presídio Militar Romão Gomes.
As investigações da Polícia Civil e da Polícia Militar revelaram divergências nas declarações do tenente-coronel, especialmente sobre o relacionamento e os eventos que levaram ao suposto suicídio da vítima. A linha de investigação constatou inconsistências na conduta de Geraldo após o disparo, comprometendo a credibilidade de sua versão.
As provas periciais e médico-legais indicaram a inviabilidade da hipótese de suicídio e sugeriram alteração do local do crime. O laudo necroscópico do Instituto Médico Legal (IML) de São Paulo revelou lesões no rosto e no pescoço de Gisele, que morreu devido a traumatismo crânio-encefálico grave causado por disparo de arma de fogo. O tiro foi compatível com disparo encostado, próximo à cabeça da vítima.
A defesa do tenente-coronel não foi contatada até o momento. O Inquérito Policial Militar deve ser concluído nos próximos dias e tramita sob segredo de justiça.


