Leandro Pinto, presidente e fundador da granja Mantiqueira, afirmou que a alta dos preços dos ovos é uma resposta ao ciclo de mercado que inviabilizou pequenos produtores descapitalizados. A declaração foi feita em entrevista ao programa Hot Market.
No primeiro bimestre de 2025, o preço do ovo disparou entre 40% e 45%, alcançando o recorde histórico de R$ 252 por uma caixa de 30 dúzias em Belo Horizonte, conforme dados do Cepea (ESALQ/USP).
Durante a entrevista, Pinto rechaçou a narrativa de vilanismo, lembrando do embate público em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou o setor, utilizando termos como “pilantra” para se referir aos produtores.
““A Mantiqueira é parte do mercado, ela não é o mercado”, afirmou o empresário.”
Ele destacou que o setor enfrentou uma pressão de custos sem precedentes devido à guerra na Ucrânia e à alta das commodities em Chicago. Pinto explicou que o consumidor vê o preço na gôndola, mas não percebe o período em que os produtores operaram no prejuízo.
“Várias vezes nós tivemos que colocar uma nota de R$ 50 ou R$ 100 dentro de uma caixa de ovo, tomando prejuízo. Ninguém chegou para nos acudir naquele momento”, disse.
O empresário ressaltou que a dinâmica da produção de ovos é mais lenta e complexa que a do frango de corte, com um ciclo de produção que se estende por dois anos.
A crise de 2025 resultou em uma consolidação forçada do setor, com a Mantiqueira adquirindo ativos de famílias que não conseguiam manter as aves vivas devido ao aumento no preço do milho, principal insumo da ração.
““Muita gente ficou no meio do caminho porque não tinha dinheiro”, relembrou.”
Pinto criticou a condução do governo durante a crise, afirmando que muitas famílias estão no Serasa e quebradas. Ele enfatizou a necessidade de coragem para falar a verdade sobre a situação do setor.
““Não adianta jogar para a plateia; o setor é fragmentado, mas tem liderança para mostrar que o governo comete equívocos ao nos atacar”, disse.”


