Leilão histórico contrata 19 mil MW para reserva energética no Brasil

Amanda Rocha
Tempo: 4 min.

Nesta quarta-feira (18), ocorreu o primeiro leilão de contratação de reserva de capacidade na forma de potência (LRCAP) de 2026, promovido pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), pelo Ministério de Minas e Energia e pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE). O leilão contou com 100 vencedores, resultando em uma potência instalada de 29,7 mil megawatts e contratada de 18,9 mil megawatts, gerando uma receita total de R$ 515,7 bilhões, investimentos de R$ 64 bilhões e economia de R$ 33,6 bilhões.

A primeira etapa do leilão, considerado o mais importante do ano para o país, foi realizada online na sede da CCEE, em São Paulo. O evento ocorreu em um contexto de alta nos preços dos combustíveis, influenciado pela guerra entre os Estados Unidos e Israel contra o Irã, que resultou no fechamento do Estreito de Ormuz, uma rota crucial para a exportação de petróleo.

O leilão de reserva de capacidade visa contratar energia para garantir a potência firme e a segurança do Sistema Interligado Nacional, evitando problemas no fornecimento de energia elétrica. O objetivo é assegurar que o sistema elétrico nacional tenha usinas disponíveis para operar em momentos críticos, como no início da noite.

O LRCAP nº 01 foi realizado em 2021, com 4,6 gigawatts de potência negociados. O LRCAP nº 02, realizado nesta quarta-feira, contratou potência de usinas hidrelétricas e termelétricas a carvão e gás natural. As termelétricas são acionadas quando as hidrelétricas não conseguem atender à demanda de energia, embora tenham um custo maior e sejam mais poluentes.

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““Hoje é um dia histórico para o setor elétrico brasileiro e para os próximos 10 anos da segurança energética do Brasil. Nós fizemos o maior leilão de térmicas da história desse país”, disse Alexandre Silveira, ministro de Minas e Energia.”

O ministro também afirmou que, com os negócios realizados, o problema de potência do sistema energético brasileiro está solucionado. Ele destacou que a contratação de térmicas em leilão público é mais vantajosa do que a contratação emergencial, que costuma ser mais cara.

Silveira acredita que este pode ser um dos últimos leilões de energia não-renovável contratados pelo governo. O próximo certame, o LRCAP nº 03, está previsto para a próxima sexta-feira (20) e será voltado para termelétricas movidas a óleo diesel, óleo combustível e biodiesel. O fornecimento das térmicas será de dez anos e das hidrelétricas, de 15 anos.

A negociação se dará pelo valor a ser pago aos geradores por megawatt disponível durante um ano. O preço-teto para termelétricas novas foi fixado em R$ 2,9 milhões por megawatt/ano, enquanto para usinas existentes, o valor é de R$ 2,25 milhões por megawatt/ano. Para hidrelétricas, o teto estabelecido é de R$ 1,4 milhão por megawatt/ano.

A Aneel informou que 330 projetos se inscreveram para participar do leilão, totalizando 120.386 megawatts. Para o leilão de sexta-feira, foram inscritos 38 projetos, reunindo 5.890 megawatts.

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A Abrace Energia, associação que representa grandes consumidores de energia, defendeu a realização do leilão, mas alertou sobre a necessidade de estabelecer um limite de 10 GW de contratação para evitar aumento de custos aos consumidores.

O leilão de quarta-feira teve rodadas para ofertar seis produtos de térmicas e dois de hidrelétricas. O evento começou às 10h e terminou por volta das 16h.

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