Leilões de geração de energia podem movimentar R$ 123 bilhões em 2026

Amanda Rocha
Tempo: 4 min.

O governo federal estima que os leilões de geração de energia programados para 2026 poderão movimentar cerca de R$ 123 bilhões em investimentos. O cálculo foi realizado pela EPE (Empresa de Pesquisa Energética), estatal vinculada ao MME (Ministério de Minas e Energia).

Esse volume significativo é atribuído ao adiamento do leilão de reserva de capacidade – LRCap (segurança energética) –, que deveria ter ocorrido em 2024, resultando em uma demanda reprimida. Estão previstos até quatro leilões de reserva de capacidade, com dois já programados em portaria do MME para esta semana.

O primeiro leilão está agendado para quarta-feira (18) e irá contratar potência de usinas hidrelétricas e termelétricas a carvão mineral e gás natural. O segundo leilão, marcado para sexta-feira (20), será voltado para termelétricas movidas a óleo diesel, óleo combustível e biodiesel. O suprimento começará em 1º de agosto de cada ano, e o governo pretende contratar usinas existentes a óleo combustível e diesel para atender o período entre 2026 e 2027.

Além disso, há previsão de um certame voltado para sistemas de armazenamento de energia e outro para Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs). O presidente da EPE, Thiago Prado, afirmou que o foco dos leilões é aumentar a segurança energética, considerada a principal demanda do sistema elétrico no curto prazo.

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““Os leilões de reserva de capacidade são fundamentais para a segurança energética e resiliência na continuidade do suprimento de energia elétrica para os próximos anos, inclusive em relação aos efeitos das mudanças climáticas na demanda e oferta de eletricidade do país”, disse.”

Este leilão é o mais aguardado pelo setor, que deveria ter ocorrido em 2024, mas foi adiado devido a intensos lobbies de diferentes segmentos da indústria e do setor elétrico. A guerra de liminares judiciais aumentou a insegurança regulatória, levando o governo a cancelar o leilão como estratégia para conter o avanço das contestações.

A demora colocou o país em risco real de apagão, pois o atraso na realização do leilão impediu a contratação antecipada de potência firme necessária para atender picos de demanda e períodos de escassez hídrica, reduzindo a margem de segurança do sistema elétrico. Sem essa contratação, o ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) tornou-se mais dependente de soluções emergenciais, que são mais caras e menos confiáveis.

A presidente da AbraPCH, associação que representa as pequenas centrais hidrelétricas, Alessandra Torres, acredita que há chances de o leilão da fonte ocorrer ainda neste ano, mesmo com o calendário eleitoral. “Mesmo que seja um ano eleitoral e tenha leilão de LRCap nos próximos dias, nossa leitura é que, como está na Lei, há boa probabilidade de acontecer ainda este ano”, afirmou.

““Temos a EPE que organizou o último leilão de forma muito competente, temos empreendedores de PCHs com apetite para investir e o SIN (Sistema Interligado Nacional) que necessita de energia firme em horário de ponta, previsibilidade, estabilidade de frequência e capacidade de resposta rápida em caso de necessidade”, concluiu.”

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