O presidente do Líbano, Joseph Aoun, solicitou negociações diretas com Israel para encerrar o conflito com o Hezbollah, milícia libanesa apoiada pelo Irã. Durante uma reunião com autoridades da União Europeia na segunda-feira, 9 de março de 2026, ele apresentou um plano de quatro passos para conter as hostilidades, criticando o grupo xiita por arrastar o país para a guerra no Oriente Médio.
Aoun descreveu sua proposta como um caminho para ‘acordos permanentes de segurança e estabilidade em nossas fronteiras’. O plano inclui uma ‘trégua completa’, que coincidiria com o desarmamento do Hezbollah e assistência internacional às Forças Armadas libanesas para retomar o controle de ‘áreas de tensão’. Ele também sugeriu que Líbano e Israel iniciassem negociações diretas ‘sob patrocínio internacional’.
De acordo com as Nações Unidas, o conflito entre o Hezbollah e o Exército israelense, que começou há nove dias, resultou no deslocamento de mais de 700 mil libaneses, incluindo 200 mil crianças. O Ministério da Saúde libanês contabilizou 486 mortos, entre eles 83 crianças, enquanto dois soldados israelenses perderam a vida em combates no sul do Líbano.
Um porta-voz de Aoun afirmou à emissora britânica BBC que o governo libanês está pronto para negociar, mas não enquanto o país estiver sob ataque. Autoridades israelenses, por sua vez, mostraram pouco apoio a um processo diplomático e, na madrugada seguinte, suas forças bombardearam várias localidades no sul e no leste do Líbano. O governo do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu não se pronunciou oficialmente sobre a proposta de Beirute.
Durante a reunião com autoridades europeias, Aoun fez críticas contundentes ao Hezbollah, referindo-se ao grupo como uma ‘facção armada’. Ele afirmou que seu comando ‘não dá importância aos interesses do Líbano nem à vida de seu povo’ e deseja o ‘colapso do Estado libanês sob agressão e caos’. Essas declarações marcam um endurecimento do governo em relação à milícia.
Na semana anterior, o governo libanês declarou que as operações militares do Hezbollah são ilegais, embora não tenha capacidade para desarmar o grupo. Netanyahu enviou uma mensagem privada ao governo libanês, afirmando: ‘É sua responsabilidade fazer cumprir o acordo de cessar-fogo e desarmar o Hezbollah’, referindo-se ao pacto de 2024 que encerrou mais de um ano de hostilidades com a milícia.
A trégua mediada pelos Estados Unidos e França tem sido violada por ambas as partes. Israel continuou realizando ataques quase diários ao Líbano, acusando o Hezbollah de tentar se rearmar. Após o início da ofensiva EUA-Israel contra o Irã, o Hezbollah disparou foguetes e drones contra o norte israelense, justificando suas ações como retaliação pelo assassinato de Ali Khamenei.
Israel declarou que os ataques justificavam uma campanha mais ampla contra o Hezbollah, incluindo ataques aéreos e incursões terrestres no Líbano. O governo Netanyahu afirmou que a operação continuará até que o grupo seja desarmado, enquanto o Hezbollah declarou que continuará atacando o território israelense, custe o que custar.


