O líder do Hezbollah, Naim Qassem, declarou nesta quarta-feira, 25 de março de 2026, que o Líbano não deve iniciar negociações com Israel enquanto o país continuar a realizar bombardeios. Segundo Qassem, isso seria equivalente a uma ‘rendição’. A afirmação foi feita em um comunicado no Telegram.
Qassem também pediu unidade nacional para ‘por fim à agressão israelense-americana’. Ele afirmou: ‘Negociar com o inimigo israelense sob fogo equivale a impor a rendição e privar o Líbano de suas capacidades, especialmente porque negociações são fundamentalmente rejeitadas com um inimigo que ocupa território e continua a agressão diária.’
O líder do Hezbollah ressaltou que os combatentes do grupo estão determinados a continuar lutando ‘sem limites’ caso o conflito se intensifique. Ele pediu que Beirute reverta a decisão de proibir as atividades militares do Hezbollah, tomada em 2 de março, após a milícia iniciar ataques com foguetes contra Israel em retaliação à ofensiva de Washington e Tel Aviv contra o Irã.
A decisão de apoiar Teerã, que patrocina o Hezbollah como parte do ‘eixo da resistência’, resultou na reinicialização das hostilidades na fronteira sul do Líbano, que estavam tecnicamente em pausa desde um cessar-fogo firmado em 2024. Israel respondeu com uma ofensiva aérea significativa, operações terrestres e ameaças de tomar território libanês.
O conflito se agravou, resultando na morte de pelo menos 1.072 pessoas no Líbano e forçando 1,2 milhão a deixarem suas casas. Parlamentares israelenses de extrema direita, incluindo o ministro das Finanças, Bezalel Smotrich, defenderam a anexação do sul do Líbano, afirmando que ‘a nova fronteira israelense deve ser o rio Litani’, que fica a cerca de 30 quilômetros da divisa com Israel.
Esses comentários foram condenados pela comunidade internacional, incluindo o presidente Emmanuel Macron, que tem trabalhado com o governo libanês para abrir um diálogo com Tel Aviv. O presidente do Líbano, Joseph Aoun, fez apelos pela interrupção dos ataques, criticou o Hezbollah e expulsou o embaixador iraniano do país. No entanto, o governo israelense não mostrou sinais de moderação. O ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, afirmou que os libaneses deslocados não poderão retornar ao sul até que o norte de Israel esteja seguro.

