Líder de facção no Amapá é alvo de operação da Polícia Federal

Amanda Rocha
Tempo: 4 min.

Pedro de Morais Santos Garcia, de 43 anos, guarda municipal de Marituba, no Pará, é considerado pela polícia o maior traficante de drogas do Amapá. Ele é identificado como líder da facção Família Terror do Amapá (FTA) e responsável pela logística de distribuição de drogas. Pedro foi o principal alvo da Operação Abadom, deflagrada nesta terça-feira (31) em oito estados, incluindo Amapá e Pará, mas conseguiu fugir antes da chegada dos policiais.

As investigações revelam que Pedro iniciou sua trajetória criminosa no Amapá. Após assumir a liderança na facção, ingressou na Guarda Municipal do Pará. A Prefeitura de Marituba declarou que, se o envolvimento de Pedro for comprovado, medidas administrativas serão tomadas.

A base de operações de Pedro situava-se entre Amapá e Pará, aproveitando a localização estratégica e os rios da Amazônia para facilitar o tráfico. As drogas, incluindo cocaína e crack, eram enviadas em navios entre Macapá e Santana, fracionadas e escondidas em objetos comuns para evitar suspeitas.

“”Ele conseguiu o cargo em Marituba e dizia ter driblado o sistema. Fazia prisões e, ao mesmo tempo, coordenava o tráfico no Amapá, sendo o maior fornecedor interno”, afirmou o delegado Stefano Santos.”

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Pedro já havia sido alvo de uma operação em 2021, que investigava o roubo de uma aeronave sequestrada durante uma viagem a um garimpo no Sul do Amapá. A aeronave, que saiu de Laranjal do Jari, foi encontrada no dia seguinte em Sinop, no Mato Grosso.

A Operação Abadom investiga um esquema de tráfico de drogas que envolvia lavagem de dinheiro por meio de empresas de fachada e laranjas, com movimentação de pelo menos R$ 40 milhões. A Justiça expediu 54 mandados de prisão preventiva e 64 de busca e apreensão, além da suspensão de dez empresas de fachada.

No total, foram cumpridos 18 mandados no Amapá, 17 no Pará, dois em São Paulo, dois no Ceará, um no Rio Grande do Norte, um no Rio Grande do Sul e um em Roraima. A operação resultou na apreensão de veículos blindados, imóveis de luxo e bloqueio de ativos financeiros, além de R$ 40 mil em espécie.

“”Dos 18 presos no Amapá, nove eram mulheres. Elas viviam uma vida de luxo sustentada pelo crime”, afirmou o delegado-geral da Polícia Civil, Daniel Marsili.”

A operação contou com a colaboração das polícias estaduais e federais. As investigações começaram com a Polícia Federal, que identificou a influência de facções nacionais no Amapá. O delegado Everton Manso, coordenador de operações da PF, destacou que as facções não atuam apenas no tráfico local, mas também enviam drogas para o exterior.

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O secretário de Justiça e Segurança Pública, Cezar Vieira, afirmou que as equipes estão empenhadas em conter a expansão das facções no estado, ressaltando que os resultados demonstram a possibilidade de conter o avanço do crime organizado.

A Prefeitura de Marituba se manifestou, afirmando que não compactua com condutas ilegais e que, se confirmada a vinculação de qualquer servidor a práticas ilícitas, medidas administrativas serão adotadas imediatamente.

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