O homem apontado como líder da quadrilha que produzia armas de fogo feitas em impressoras 3D foi preso nesta quinta-feira (12), no estado de São Paulo. Além dele, outras três pessoas foram detidas na Operação “Shadowgun”, realizada pela Polícia Civil do Rio de Janeiro em conjunto com o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro e o Ministério da Justiça e Segurança Pública.
Segundo as investigações, o líder da organização é um engenheiro especializado em controle e automação, sendo o principal responsável pelo desenvolvimento técnico do armamento. Ele usava um pseudônimo na internet e divulgava testes balísticos, atualizações de design e orientações detalhadas sobre calibração, materiais de impressão e montagem das armas.
O suspeito produziu e distribuiu um manual com mais de 100 páginas, que descrevia todas as etapas para a fabricação das armas. O material permitiria que pessoas com conhecimento intermediário em impressão 3D montassem o armamento em poucas semanas, utilizando equipamentos de baixo custo. Ele também participava de debates online, incentivava a produção das armas e utilizava criptomoedas para financiar as atividades.
As autoridades cumpriram mandados nesta quinta-feira (12) contra integrantes e compradores ligados a um esquema interestadual de produção e venda de material bélico fabricado em impressoras 3D. Das cinco ordens de prisão, quatro já foram cumpridas. Além disso, as equipes também cumpriram 36 mandados de busca e apreensão em 11 estados do país, em endereços ligados tanto a integrantes do grupo quanto a compradores do material.
As diligências ocorreram no Rio de Janeiro, Espírito Santo, São Paulo, Rio Grande do Sul, Pará e Paraíba. Forças de segurança de Minas Gerais, Santa Catarina, Goiás, Bahia e Roraima também auxiliaram no cumprimento das ordens judiciais. A operação conta com a cooperação de órgãos internacionais.
De acordo com as autoridades, cinco integrantes da organização criminosa foram denunciados à Justiça pelos crimes de organização criminosa, lavagem de dinheiro e comércio ilegal de arma de fogo. As investigações começaram após um órgão internacional alertar o CIBERLAB sobre um usuário de rede social suspeito de desenvolver e comercializar armamentos produzidos por impressão 3D.
A partir desse compartilhamento de informações, os investigadores identificaram a atuação de um grupo estruturado voltado à produção e disseminação de armamentos conhecidos como “armas fantasmas”, que não possuem número de série ou registro oficial e podem ser montadas com peças de fácil acesso.
O principal produto disseminado pela organização era um modelo de arma semiautomática produzido com peças impressas em 3D combinadas a componentes não regulamentados. O projeto foi divulgado na internet acompanhado de um manual técnico e de um manifesto ideológico defendendo o porte irrestrito de armas, ampliando a difusão do modelo e criando uma rede de usuários interessados na produção das chamadas armas fantasmas.
Entre os produtos comercializados estavam carregadores alongados para pistolas de diferentes calibres, produzidos em impressoras 3D na residência do principal investigado. O material era vendido em plataformas online. Entre 2021 e 2022, pelo menos 79 compradores adquiriram peças produzidas pelo grupo, com negociações ocorrendo por meio de outros canais digitais nos anos seguintes.
Os compradores identificados estão distribuídos em 11 estados brasileiros, e parte deles possui antecedentes criminais, incluindo registros relacionados ao tráfico de drogas e outros crimes. No estado do Rio de Janeiro, foram identificados dez compradores em cidades como São Francisco de Itabapoana, Araruama, São Pedro da Aldeia, Armação dos Búzios e na capital.


