Lindbergh Farias aciona PGR contra Roberto Campos Neto por caso do Banco Master

Amanda Rocha
Tempo: 4 min.

O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) apresentou nesta quarta-feira (4) uma notícia-crime à Procuradoria-Geral da República (PGR) para investigar o possível envolvimento do ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, no caso do Banco Master. A ação ocorre após a terceira fase da Operação Compliance Zero, que resultou na prisão do dono do banco, Daniel Vorcaro.

As investigações da Polícia Federal (PF) indicam a existência de uma estrutura organizada de intimidação e violência contra jornalistas. O relatório da PF revela que Vorcaro continuou cometendo crimes após sua prisão em 2025. Além disso, apenas um terço do celular de Vorcaro foi periciado pela PF, e servidores afastados participaram da última reunião de Vorcaro com o Banco Central.

As apurações apontaram que dois ex-servidores do Banco Central atuavam como uma “consultoria informal” a Vorcaro. Diante disso, Lindbergh solicita uma investigação sobre a gestão de Campos Neto, uma vez que os “fatos narrados ocorreram integralmente durante o exercício de suas funções institucionais”.

““Os acontecimentos mais recentes agravaram qualitativamente o quadro, ao trazerem à luz elementos que não se limitam a ‘falhas difusas’ de governança, mas apontam para relações funcionais específicas entre dirigentes e/ou chefias do Banco Central e atores diretamente interessados na sustentação do Banco Master”, escreveu Lindbergh no documento.”

O deputado também argumenta que mudanças feitas pelo Banco Central na gestão de Campos Neto não conseguiram prever o colapso da instituição e podem ter contribuído para esconder riscos. O documento menciona que a norma editada pelo BC reduziu os Fatores de Ponderação de Risco (FPR) de certos ativos, permitindo operações arriscadas que pareciam seguras.

““A Resolução nº 4.656/2018 do Conselho Monetário Nacional, implementada com participação decisória do então comando do Banco Central, o ora representado, acabou por transformar fraudes localizadas em bombas sistêmicas, ao reduzir salvaguardas prudenciais em operações de crédito e, assim, ampliar a vulnerabilidade de instituições menos robustas”, diz o texto.”

Segundo Lindbergh, relatos ao longo dos anos já indicavam sinais de fragilidade, especialmente relacionados à liquidez e à qualidade dos ativos. Ele defende a necessidade de investigar se o ex-presidente foi omisso em sua gestão.

““A conduta omissiva eventualmente verificada no âmbito da supervisão prudencial do Banco Master, se confirmada, caracteriza descumprimento de dever constitucional de agir, ou, em caso de conduta dolosa comissiva, possível violação de normas penais ligadas à proteção do sistema financeiro nacional, que podem ter facilitado as fraudes do Banco Master”, escreveu.”

Lindbergh também lembra que, em novembro de 2025, Campos Neto pagou R$ 300 mil ao próprio Banco Central para que um processo contra ele fosse encerrado. O acordo resultou no arquivamento do procedimento sem julgamento de mérito, o que levantou questionamentos sobre a transparência e a coerência institucional.

““Assim, a apuração penal e administrativa da necessidade de verificar se houve violação concreta de deveres jurídicos mínimos de vigilância e prudência. Desse modo, tanto sob a ótica penal quanto administrativa, há base normativa suficiente para justificar a instauração de investigação formal”, concluiu o documento.”

Compartilhe esta notícia