O livro ‘Escola É Escada’, de Cristovam Buarque, ex-ministro da Educação, analisa as características comuns entre jovens que ascenderam socialmente. O lançamento ocorreu em 13 de março de 2026.
Dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) mostram que brasileiros entre 25 e 64 anos com diploma universitário ganham, em média, 148% a mais do que aqueles que não completaram o ensino superior. Essa diferença é uma das mais altas entre os países da OCDE, superada apenas pela Colômbia e África do Sul.
O autor identificou que o apoio familiar, a participação em olimpíadas de conhecimento e a obtenção de bolsas de estudo são fatores que ajudam na ascensão social. “A educação ainda é um privilégio no Brasil, e mesmo estar em bancos escolares não basta”, afirma Buarque.
Beatriz Servilha, 27 anos, é uma das histórias destacadas no livro. Filha de um pedreiro e de uma telefonista, ela superou dificuldades financeiras e, após gabaritar a redação do Enem, conquistou uma vaga na UFRJ. “A pobreza faz a gente comer mal, dormir mal, não ter tempo para nada, mas a faculdade mudou meu destino”, reflete.
Atualmente, menos de um quinto dos jovens entre 18 e 24 anos cursa o ensino superior, e 9,1 milhões de jovens entre 15 e 29 anos abandonaram os estudos antes de concluir o ensino médio. A maioria deixa a escola para ajudar no orçamento familiar.
Victor Hill, 30 anos, também é mencionado. Nascido no interior do Ceará, ele participou de olimpíadas de conhecimento e conquistou uma bolsa integral no Insper. “É um ciclo difícil de quebrar. Faltam ferramentas para mudar a mentalidade de que estudar é coisa de rico”, diz.
André Menezes, 37 anos, que foi feirante na adolescência, também é um exemplo de superação. Ele se dedicou ao estudo do inglês e, após ingressar na faculdade de turismo, fez pós-graduação em tecnologia em Harvard. “Eu sempre soube que minha arma era o estudo”, conta.
Apesar da importância da educação, um estudo da Universidade Federal de Pelotas, publicado na revista The Lancet, indica que o impacto da pobreza no desenvolvimento das crianças pode durar toda a vida. “O cérebro da parcela menos favorecida é, em geral, menor”, afirma o epidemiologista Cesar Victora.
O livro de Buarque ressalta a necessidade de tornar a educação mais acessível, garantindo que mais pessoas possam ser recompensadas por seus esforços e preparadas para os desafios do futuro.


