O Lollapalooza 2026 encerrou seu primeiro dia de festividades no dia 20 de março com uma apresentação muito aguardada de Sabrina Carpenter. A artista americana atraiu uma multidão em frente ao Palco Budweiser e levantou um intenso coro que questionava se um parceiro amoroso seria estúpido, lerdo ou inútil. Essa abordagem jovial e bem-humorada reflete um elemento compartilhado por boa parte do line-up da sexta-feira.
O tema da masculinidade contemporânea foi ecoado desde a primeira grande atração do dia: o grupo Viagra Boys, de Estocolmo. Desde 2015, a banda critica a hiper masculinidade com uma sonoridade punk rock, liderada pelo vocalista descamisado Sebastian Murphy. O cantor, que não se preocupa com padrões de beleza, contrasta com a tendência entre jovens que buscam a estética ideal. As letras da banda, como Man Made of Meat e Pyramid of Health, abordam conspirações e crenças radicais entre homens na internet.
Durante o show, que ocorreu entre 15:50 e 16:50, o grupo atraiu um público considerável, transformando o vale ao redor do Palco Samsung Galaxy em um formigueiro. O show teve momentos de energia intensa, com moshpits e crowdsurfing. Logo após, Blood Orange, nome artístico de Dev Hynes, apresentou faixas do disco Essex Honey, refletindo sobre a troca da família nuclear por valores mais expansivos.
Hynes, que enfrentou problemas técnicos durante sua apresentação, entregou um show elegante e focado na música. Em seguida, Doechii e Sabrina Carpenter engrossaram o coro sobre a crise da masculinidade. Carpenter apresentou 17 faixas, sendo seis delas queixando-se da escassez de homens maduros. A rapper, com seu hit Denial is a River, também abordou decepções amorosas.
Apesar de suas apresentações não explorarem muito além da esfera afetiva, a simplicidade foi equilibrada por graves e cenografia robusta. Doechii utilizou um palco adornado e coreografias frenéticas, enquanto Carpenter, com seu show temático de programa de televisão setentista, esbanjou carisma, embora seu repertório tenha falhado em equilíbrio.
A 13ª edição do festival já se destaca como a mais antenada em muito tempo, atraindo tanto fãs de pop quanto de rock, com muitos jovens cantando as letras de Sabrina com entusiasmo.

