A Petrobras anunciou na noite de quinta-feira (5) que obteve um lucro líquido de R$ 110,1 bilhões em 2025, um aumento de cerca de 200% em comparação aos R$ 36,6 bilhões registrados em 2024. Esse resultado indica que o lucro da estatal quase triplicou em um ano.
Segundo a empresa, o desempenho positivo ocorreu mesmo em um cenário desafiador, caracterizado pela queda de 14% no preço do petróleo tipo Brent ao longo do ano. A companhia atribui o resultado ao aumento da produção de óleo e gás e à melhora da eficiência operacional.
““O ano de 2025 foi extraordinário em termos de produção. O aumento do volume de óleo e gás nos permitiu compensar os efeitos da queda do Brent e alcançar resultados financeiros robustos”, afirmou a presidente da Petrobras, Magda Chambriard.”
A produção total de petróleo e gás natural da Petrobras atingiu 3 milhões de barris de óleo equivalente por dia (boed) em 2025, representando um crescimento de 11% em relação ao ano anterior. O fluxo de caixa operacional da empresa alcançou R$ 200 bilhões (US$ 36 bilhões) no ano.
Fernando Melgarejo, diretor financeiro e de relacionamento com investidores da companhia, destacou que o resultado reflete a estratégia de ampliação da produção com disciplina de capital.
““Mesmo em um cenário de forte queda do Brent, geramos R$ 200 bilhões de caixa operacional no ano. Continuamos a apresentar um fluxo de caixa robusto, apoiado por projetos de qualidade que ampliam a produção, com alto retorno e rápida geração de caixa”, afirmou.”
A Petrobras informou que investiu R$ 112,9 bilhões (US$ 20,3 bilhões) em 2025, dentro da faixa prevista. A maior parte dos recursos foi destinada ao segmento de exploração e produção, que respondeu por cerca de 84% dos investimentos. O montante incluiu a aceleração de projetos e o avanço de unidades de produção em campos do pré-sal.
Entre os fatores que contribuíram para o aumento da produção estão o início da operação do FPSO Almirante Tamandaré, no campo de Búzios, e a entrada em operação do FPSO Alexandre de Gusmão, no campo de Mero. As novas unidades adicionaram 585 mil barris por dia de capacidade nominal de produção operada pela Petrobras.
A estatal também registrou exportações de petróleo em níveis recordes, com média de 765 mil barris por dia. No quarto trimestre de 2025, o volume alcançou 999 mil barris por dia, o maior já registrado em um trimestre.
Outro fator que influenciou o resultado foi a valorização do real frente ao dólar, que teve um impacto positivo nas contas da companhia. Sem considerar efeitos cambiais e outros eventos, o lucro líquido teria sido de R$ 100,9 bilhões (US$ 18,1 bilhões). O EBITDA ajustado ficou em R$ 244,3 bilhões (US$ 43,8 bilhões).
A dívida bruta da Petrobras encerrou 2025 em US$ 69,8 bilhões, impactada pela inclusão de contratos de afretamento de plataformas na contabilidade da dívida. O conselho de administração aprovou o envio à assembleia de acionistas de uma proposta de distribuição de R$ 8,1 bilhões em dividendos, referentes ao quarto trimestre de 2025, com pagamentos previstos para maio e junho de 2026.
No total, a companhia distribuiu R$ 45,2 bilhões em proventos ao longo de 2025, sendo R$ 17,6 bilhões destinados ao grupo de controle. A Petrobras também pagou R$ 227,6 bilhões em tributos à União, estados e municípios, além de cerca de R$ 2 bilhões em investimentos socioambientais, patrocínios e doações.
Em relação às reservas, a empresa incorporou 1,7 bilhão de barris de óleo equivalente, alcançando um índice de reposição de reservas de 175%. A relação entre reservas provadas e produção ficou em 12,5 anos. No refino, a companhia operou com fator de utilização total de 91%, com diesel, gasolina e querosene de aviação representando 68% da produção total de derivados.

