Lula altera estratégia para reeleição após pesquisas sobre Flávio Bolsonaro

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) decidiu modificar sua estratégia para a reeleição em 2026, optando por um confronto direto com Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A mudança ocorre após pesquisas recentes indicarem uma aproximação do senador nas intenções de voto.

Durante o programa WW, o apresentador William Wack, junto com os analistas Caio Junqueira e Thais Herédia, e o convidado Creomar de Souza, CEO da Consultoria Charma Politics, discutiram a nova abordagem de Lula. Até então, o presidente vinha ignorando Flávio, mesmo após o filho de Jair Bolsonaro ter anunciado oficialmente sua pré-candidatura à presidência em dezembro de 2025.

Lula avaliava que não deveria dar destaque ao senador e mantinha uma postura cautelosa em relação ao governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que ainda estava em consideração. O presidente via Tarcísio como um candidato mais competitivo que Flávio. No entanto, a mudança de postura de Lula foi impulsionada por pesquisas, como a Datafolha, que mostraram um cenário de empate técnico entre os dois.

Atualmente, em um possível segundo turno, Lula está apenas três pontos percentuais à frente de Flávio, dentro da margem de erro de dois pontos para mais ou para menos. Na rejeição, 46% dos eleitores afirmam que não votariam em Lula de jeito nenhum, enquanto 45% indicam o mesmo para Flávio. A avaliação negativa de Lula é de 45,3%, enquanto a positiva é de 34,6%.

Outro fator que tem influenciado a estratégia do presidente é a deterioração da percepção econômica entre os brasileiros. Uma nova pesquisa Datafolha, divulgada em 10 de março, revelou que 46% dos entrevistados acreditam que a economia piorou nos últimos meses, em comparação a 41% em dezembro do ano passado. O percentual de pessoas que acham que a economia melhorou caiu de 26% para 21%.

Creomar destacou que “o governo enfrenta dificuldades para traduzir ganhos econômicos reais em percepção positiva para o eleitorado”. Apesar de indicadores como a queda da inflação e a expectativa de redução de juros, a avaliação popular sobre a economia tem se deteriorado. Caio acrescentou que um dos desafios do governo é comunicar suas realizações de forma eficaz, especialmente para a classe média baixa, que costuma decidir eleições.

Os especialistas apontam que Lula precisará convencer os eleitores de que seu governo foi responsável pelas melhorias econômicas, além de lidar com questões sensíveis, como os casos de corrupção que afetam sua imagem. A antecipação do embate eleitoral, a quase dois anos da disputa, revela a preocupação do núcleo político do governo com o crescimento do adversário.

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