O presidente Luiz Inácio Lula da Silva cancelou sua participação na cerimônia de posse do novo presidente do Chile, José Antonio Kast, após a confirmação da presença de Flávio e Eduardo Bolsonaro no evento.
A decisão gerou discussões sobre possíveis impactos nas relações diplomáticas entre Brasil e Chile. De acordo com a analista de política Clarissa Oliveira, durante o Bastidores CNN, o contexto desta decisão é fundamental para compreender suas implicações.
““É um gesto de chefes de Estado e tem que estar acima de picuinhas políticas locais, se Flávio Bolsonaro e Eduardo Bolsonaro estiverem recebendo um tratamento adequado às suas funções institucionais. Qual a relevância que o novo governo chileno está dando para essas duas figuras na cerimônia de posse?””
Clarissa destacou que cerimônias de posse possuem diferentes escalões de convidados, com chefes de Estado ocupando posições privilegiadas. “Se Lula tomou a decisão de fazer esse cancelamento, e se Flávio Bolsonaro e Eduardo Bolsonaro estiverem lá na ‘raspa do tacho’, não vejo sentido e acho que gera um desgaste desnecessário para o Brasil neste momento”, avaliou.
Por outro lado, se o governo chileno tiver concedido aos filhos de Bolsonaro um status semelhante ao de um chefe de Estado, isso poderia justificar a reação do presidente brasileiro. “Seria uma provocação de fato, uma indelicadeza diplomática”, afirmou a analista.
Clarissa também lembrou como Lula lidou com uma situação semelhante durante o governo de Donald Trump, quando conseguiu esvaziar o relacionamento que existia entre Eduardo Bolsonaro e o então presidente americano. “Não seria o caso de Lula também aproveitar isso? Se, de fato, o papel reservado a Flávio e Eduardo for pequeno, não seria interessante para ele também se posicionar?”, questionou.
Fontes indicam que a relação entre Lula e o futuro presidente chileno tinha sido positiva após encontro bilateral realizado no Panamá. A esposa de Kast teria expressado o desejo de contar com a presença do presidente brasileiro na cerimônia de posse.


