O advogado Marco Aurélio de Carvalho, consultor jurídico de Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, afirmou nesta segunda-feira (16) que o filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva viajou para Portugal em 2024 com Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS. O advogado negou irregularidades relacionadas à viagem.
Essa é a primeira vez que a defesa de Lulinha admite a relação com Careca do INSS, que está preso desde setembro do ano passado. Carvalho declarou que Lulinha não participou das fraudes investigadas pela Polícia Federal e pela Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS.
A viagem a Portugal ocorreu a convite de Careca, em novembro de 2024, para que Lulinha visitasse uma fábrica de produtos de cannabis medicinal. Segundo Carvalho, Lulinha foi convidado por Careca, um empresário do ramo farmacêutico, e a viagem não resultou em qualquer contrato comercial.
“”Fábio viajou com o Antônio Camilo, a convite do Antônio Camilo, então um empresário de sucesso no ramo farmacêutico, que ele conheceu através da sua amiga Roberta Luchsinger. Nunca trabalhou com Antônio Camilo e essa viagem não rendeu, qualquer que tenha sido, contrato de forma direta ou indireta”, disse Carvalho.”
O advogado também afirmou que Lulinha não pagou pela viagem a Lisboa, mas não soube informar se o custo foi arcado por Careca ou pela empresa visitada. A Polícia Federal quebrou os sigilos bancário e fiscal de Lulinha em janeiro deste ano, e a CPMI do INSS fez o mesmo no final de fevereiro, mas a quebra foi suspensa por decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal.
A investigação da Polícia Federal revelou cinco pagamentos de R$ 300 mil, totalizando R$ 1,5 milhão, de uma empresa de Careca para uma empresa de Roberta Luchsinger, amiga de Lulinha. Em mensagens, Careca mencionou um pagamento que seria “para o filho do rapaz”, mas o advogado nega que se referisse a Lulinha.
Um ex-funcionário de Careca afirmou que o lobista pagava uma mesada de R$ 300 mil para Lulinha, visando ajudar a empresa World Cannabis a vender produtos ao Ministério da Saúde. A empresária Roberta também trocou mensagens com Careca sobre um envelope encontrado durante uma operação da PF, que continha o nome “Fábio”.
“”A quebra de sigilos não trouxe nenhum fato que pudesse comprometer o Fábio em qualquer dos malfeitos que estão sendo investigados pela CPMI do INSS. Fábio não tem relação direta ou indireta com nada que tenha a ver com INSS”, afirmou Carvalho.”
O advogado negou que Lulinha tenha recebido dinheiro de Careca para fazer lobby junto ao Ministério da Saúde ou à Anvisa. A quebra de sigilo revelou que Lulinha movimentou R$ 19,5 milhões em suas contas de janeiro de 2022 a janeiro de 2026, incluindo depósitos do pai e transferências para um ex-sócio.


