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Macron defende aumento da energia nuclear em meio à volatilidade do petróleo

Amanda Rocha
Tempo: 4 min.

O presidente da França, Emmanuel Macron, defendeu nesta terça-feira (10) uma maior produção de energia nuclear como uma forma de “independência” durante a Cúpula de Energia Nuclear, em Paris. A declaração foi feita um dia após uma forte volatilidade no mercado de petróleo, causada por incertezas na Guerra Estados Unidos-Israel contra o Irã.

“Vamos precisar da energia nuclear porque ela é uma fonte de progresso e prosperidade”, afirmou Macron. O presidente francês insistiu que aumentar a produção energética desse tipo seria uma forma de “independência”, além de “evitar o impacto de convulsões geopolíticas” nas economias do continente europeu.

Na segunda-feira (9), o barril de petróleo do tipo Brent chegou a variar mais de US$ 20 devido ao conflito no Oriente Médio. No entanto, a energia nuclear francesa enfrenta desafios relacionados à guerra na Ucrânia, já que cerca de 39% do urânio enriquecido utilizado pela França foi importado da Rússia em 2025. Macron reconheceu a necessidade de diversificação das fontes de suprimento.

“Precisamos cooperar internacionalmente para avançar nessa questão e diversificar nossas fontes de suprimento”, prosseguiu. As usinas nucleares já produzem 74% da energia na França, segundo dados do governo de 2025, enquanto a média da União Europeia no mesmo ano estava em torno de 20%.

Macron também pediu uma maior integração de mercados e mais investimentos dos europeus. “A energia nuclear deve ser utilizada para construir este sistema europeu de energia e eletricidade que tanto desejamos, criando verdadeiras conexões transfronteiriças e melhorando a qualidade das redes europeias existentes”, afirmou.

Para isso, o presidente francês apresentou quatro “eixos de ação” para a expansão desse modelo energético: melhorar o funcionamento das usinas existentes, aumentar a taxa de produção, melhorar o financiamento de projetos e construir grandes programas com interconexões entre os países.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula Von der Leyen, apoiou o discurso de Macron, anunciando estímulos de investimentos do bloco ao setor e considerando um “erro” a decisão do continente de se afastar da energia nuclear. “Essa redução na participação da energia nuclear foi uma escolha. Acredito que foi um erro estratégico da Europa virar as costas para uma fonte de energia confiável, acessível e com baixas emissões”, disse.

A Europa viu os preços da energia dispararem devido à guerra contra o Irã e à alta volatilidade nos mercados. Para Von der Leyen, isso é um “duro lembrete” da vulnerabilidade do continente e um alerta para um aumento da produção de energia nuclear e meios renováveis.

Na semana passada, Macron confirmou que irá expandir o arsenal nuclear militar francês nos próximos anos. “Um aprimoramento do nosso arsenal é indispensável”, afirmou no dia 2 de março, durante uma cerimônia em frente a um dos submarinos nucleares da França, chamado de “Le Téméraire”. Ele destacou que o país retomar seus testes nucleares e deixará de comunicar o tamanho do seu arsenal, decisão que veio, em parte, na esteira do afastamento dos Estados Unidos da Europa.

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