Madrasta é condenada a 49 anos por envenenar enteados no Rio de Janeiro

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

O Conselho de Sentença do 3º Tribunal do Júri do Rio de Janeiro condenou nesta quinta-feira, 5 de março de 2026, Cíntia Mariano Dias Cabral pelo envenenamento dos enteados com chumbinho em 2022. A sentença foi de 49 anos e meio de prisão pelo homicídio qualificado de Fernanda Cabral, de 22 anos, e por tentativa de homicídio contra Bruno Cabral, que na época tinha 16 anos.

O julgamento teve início na quarta-feira, 4 de março, às 15h, e se estendeu pela madrugada. Fernanda passou mal em março de 2022 após consumir um sanduíche feito pela madrasta. Ela foi levada ao Hospital Municipal Albert Schweitzer, em Realengo, com sintomas de enjoo e tontura, e morreu 13 dias depois, sem suspeitas de envenenamento.

A situação mudou em maio, quando Bruno apresentou sinais de intoxicação após comer um feijão preparado por Cíntia. Ele relatou no julgamento: “Na hora de todo mundo se servir, ela já me deu o prato com feijão. Só o meu. O prato só com feijão. Achei estranho, mas tudo bem. Me servi e comecei a comer. Percebi que o gosto estava estranho e reparei muitos pontinhos azuis no feijão.” Bruno também mencionou que, após questionar Cíntia sobre o prato, ela apagou a luz e ficou nervosa.

Bruno foi para a casa da mãe e contou o que havia acontecido. Logo começou a passar mal e foi levado ao hospital, onde passou por lavagem estomacal e exames de sangue que confirmaram envenenamento. O caso levantou suspeitas sobre a morte de Fernanda, que teve seu corpo exumado e passou por perícia, confirmando a intoxicação.

A mãe de Fernanda e Bruno, Jane Cabral, relembrou que acredita que Cíntia também tentou envenená-la durante a internação da jovem. “Durante toda a internação da Fernanda ela me oferecia comida, em quentinha. Ela me ofereceu muitas vezes, praticamente todo dia, mas eu não aceitava”, afirmou. Jane também mencionou um bolo de chocolate que Cíntia enviou para sua casa, que foi imediatamente descartado.

A relação entre os filhos e a madrasta era marcada por conflitos. Adeílson Cabral, pai de Fernanda e Bruno, afirmou que os filhos brigavam frequentemente com Cíntia. “Eu favorecia sim a minha filha, questão de horário, de dinheiro, e isso incomodava a Cíntia”, contou. Os filhos de Cíntia também testemunharam contra ela. Lucas Mariano Rodrigues disse que já desconfiava da mãe antes de ela confessar o crime.

Após mais de 16 horas de julgamento e meia hora de deliberação, os jurados condenaram Cíntia pelos dois crimes. A sentença destacou que a ré tentou ocultar a realidade ao fornecer informações falsas para a equipe médica, o que prejudicou o atendimento e diminuiu a chance de sobrevida da vítima.

Compartilhe esta notícia