Mãe denuncia que filha com paralisia cerebral está ‘presa’ em hospital em Sorocaba

Amanda Rocha
Tempo: 4 min.

Uma menina de quase dois anos com paralisia cerebral está ‘presa’ em um hospital de Sorocaba (SP) mesmo após receber alta médica no dia 5 de março. Segundo a mãe, Andressa Vicente, de 31 anos, a criança, que necessita de cuidados contínuos, não pode ir para casa porque o convênio de saúde ainda não liberou o serviço de home care, essencial para o tratamento dela.

A família já conseguiu uma decisão judicial favorável, mas continua aguardando. Alice Vitória da Silva foi diagnosticada com paralisia cerebral após uma falta de oxigênio no cérebro no momento do parto. Desde então, ela era acompanhada por uma médica do convênio. Andressa explica que a filha também sofre com convulsões epilépticas, não anda, não senta e tem refluxos constantes devido a uma bactéria no estômago. Alice se alimenta por meio de uma sonda pela barriga.

De acordo com a mãe, a médica que acompanhava Alice foi retirada do atendimento da menina e de outros pacientes. Após essa mudança, a criança passou a vomitar sangue e os medicamentos que utilizava deixaram de fazer efeito. Diante da situação, ela foi levada ao hospital, onde permaneceu internada. ‘A médica que atendia ela em casa pediu para que a gente a levasse para o hospital, porque em casa ela já estava tomando tudo o que podia. Ela foi internada para fazer uma endoscopia para ver o que estava acontecendo com ela’, explica Andressa.

Após a alta, o médico prescreveu tratamento de home care 24 horas, que consiste em assistência médica e de enfermagem em domicílio. Andressa tentou solicitar o atendimento por meio dos canais do convênio, mas não obteve resposta. O hospital também fez a solicitação do home care e não teve retorno. Por isso, mesmo com a alta médica, o hospital não autorizou a saída da menina. ‘Já faz 11 dias que estamos aguardando. Queremos ir embora, mas não podemos porque ela precisa dos cuidados à domicílio’, desabafa.

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Diante do impasse, a família entrou na Justiça. Uma decisão liminar foi concedida, determinando que o convênio libere o atendimento de home care imediatamente, sob pena de multa diária de R$ 1,5 mil, limitada a R$ 30 mil. Mesmo com a ordem judicial, a situação não foi resolvida. O convênio informou que o caso é acompanhado pelas equipes assistenciais e pelo hospital responsável pelo atendimento. ‘A criança encontra-se em processo de alta hospitalar, com encaminhamento para o Programa de Gerenciamento de Cuidados (PGC), que organizará toda a estrutura necessária para a continuidade da assistência em domicílio, conforme indicação da equipe médica responsável.’

O convênio também afirmou que o ‘atendimento domiciliar segue critérios clínicos e assistenciais definidos pelos profissionais de saúde e será implantado de acordo com o plano terapêutico indicado para a paciente, garantindo a continuidade do cuidado com segurança’. A empresa permanece à disposição da família para acolhimento e orientações.

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