A mãe de Matheus de Paula, um jovem de 23 anos que faleceu após ser atropelado por uma viatura da Guarda Civil Municipal (GCM) em Sorocaba, São Paulo, prestou depoimento na segunda-feira (9). Ela acusou os agentes de homicídio e pediu justiça.
O atropelamento ocorreu em 27 de fevereiro durante uma perseguição no bairro Parque Três Meninos. Os guardas envolvidos foram afastados de suas funções nas ruas. Michele Toledo de Almeida, mãe da vítima, afirmou que seu filho estava fazendo uma entrega de lanche no momento da abordagem e que o estabelecimento onde ele trabalhava já estava fechado.
Ela relatou que Matheus decidiu atender a um último pedido e foi atropelado quando retornava para casa. Em sua fala emocionada, Michele criticou a ação dos agentes:
“”Quero justiça. Quero que eles respondam por homicídio, não por acidente de trânsito. Foi muita crueldade o que eles fizeram, que eles prestem conta. Eles não podem parar os meninos na rua passando por cima”.”
A mãe, que é comerciante, destacou que o filho usava capacete e que existem imagens que comprovam que ele havia saído para trabalhar.
“”Foi uma injustiça, foi um homicídio. Não foi um acidente de trânsito como eles alegam. Eles foram para matar. Eles precisam explicar como fizeram uma coisa desta. Você passa por cima de uma pessoa com um carro desse tamanho e diz que não foi nada…””
Michele também mencionou que o jovem não tinha antecedentes criminais:
“”Ele era um menino muito bom. Não fazia nada de errado. Ele nunca foi preso, nunca me deu essa vergonha”.”
A mãe criticou a demora no socorro:
“”Ele poderia estar vivo”.”
Matheus foi socorrido e levado para o Conjunto Hospitalar de Sorocaba (CHS), mas não resistiu aos ferimentos e faleceu na unidade.
A conduta dos guardas está sendo investigada em duas frentes: uma administrativa pela Controladoria Geral do Município e um inquérito da Polícia Civil. Câmeras de segurança registraram a perseguição em alta velocidade, mostrando o momento em que a viatura atinge a moto e o jovem é arrastado por alguns metros.
A prefeitura informou que o objetivo é analisar as circunstâncias do caso. Os guardas envolvidos foram afastados do patrulhamento e estão em funções internas até a conclusão das apurações.
A versão inicial da GCM, divulgada pela Secretaria de Segurança Urbana, afirmava que Matheus não obedeceu a uma ordem de parada, se desequilibrou e caiu sozinho. No entanto, imagens gravadas por um morador contradizem essa versão, mostrando Matheus no chão, usando capacete.
O boletim de ocorrência da GCM detalha que o motociclista perdeu o controle ao passar por uma ondulação na via e caiu. A viatura teria freado bruscamente, encostando na moto que já estava no chão.
A advogada da família, Fernanda Caethano Barbosa, afirmou que documentos oficiais indicam que a morte foi causada por “hemorragia interna por agente contundente”, reforçando a tese de uma ação violenta. A defesa contesta a versão da GCM e investiga se houve dolo eventual. A família não dará entrevistas e busca justiça como resposta necessária à sociedade sobre os limites da atuação das forças de segurança pública.


