A brasileira Karin Rachel Aranha Toledo viajou ao Egito para recuperar seu filho Adam, que não vê há três anos. Ela começou a oferecer uma recompensa de 10 mil libras egípcias por informações sobre o menino, levado ao Egito pelo pai sem a permissão da mãe em 2022.
Karin conquistou a guarda do filho no Egito, onde reside atualmente, mas segue sem notícias dele. Uma seguidora de Karin nas redes sociais se ofereceu para pagar a recompensa após duas buscas não terem sucesso. O valor da recompensa é superior ao salário mínimo no Egito, que é de 7 mil libras egípcias, e equivale a cerca de R$ 1 mil.
A recompensa começou a ser oferecida na sexta-feira, dia 20 de março de 2026. A defesa de Karin informou que solicitou à Justiça Federal de São Paulo a quebra de sigilo telefônico, telemático e de e-mails de Ahmed Tarek Mohamed Faiz Abedelkaleg, pai da criança, para rastrear o homem. A Justiça ainda não decidiu sobre o pedido.
““Ninguém está aguentando mais tanta negligência. Dos dois lados, daqui e do Brasil também. Ninguém me dá posicionamento de nada. Tudo lento, cansativo, e absurdo, né? Estou esgotada”, afirmou Karin.”
O caso de Karin chegou a ser investigado pela Polícia Federal no Brasil. Em 2023, a Justiça Federal de Campinas determinou a prisão preventiva de Ahmed, mas ele nunca foi encontrado. Karin abriu um processo no Egito e, em novembro de 2025, conquistou a guarda do filho em uma sentença do Tribunal de Apelações do Cairo.
De acordo com o advogado de Karin no Brasil, Rafael Paiva, o Egito tem criado dificuldades para cumprir medidas judiciais, incluindo o mandado internacional de prisão expedido pelo Brasil. Paiva afirmou que todas as decisões judiciais reconhecem o direito de guarda de Karin, mas a execução prática das medidas pelas autoridades egípcias tem sido um entrave.
Após duas tentativas de busca por Adam, os advogados de Karin fizeram queixa contra o pai e a avó paterna na Justiça egípcia por recusa em entregar o garoto à mãe, que é a pessoa legalmente autorizada a mantê-lo sob guarda. A defesa acredita que o pai não tenha deixado o Egito, pois há uma proibição de viagem em vigor.
A sentença do Tribunal de Apelações do Cairo reverteu uma decisão anterior que havia retirado a guarda de Karin, alegando que ela era inapta para cuidar do filho. O tribunal considerou as acusações da família de Ahmed como baseadas em “boatos” e determinou que Adam deve ficar sob a guarda da mãe.
““A entidade responsável pela implementação deve agir mediante solicitação, e a autoridade competente deve auxiliar na sua execução, inclusive com o uso da força, se solicitado”, diz o texto da sentença.”

