O Magazine Luiza anunciou um lucro líquido ajustado de R$ 125 milhões no quarto trimestre de 2025, uma redução de 10,5% em comparação ao mesmo período do ano anterior. A empresa atribuiu essa queda aos juros elevados, conforme declarado nesta quinta-feira (12).
“Conseguimos, com toda nossa diversificação de negócios, mitigar o efeito da taxa de juros, mas tivemos um aumento significativo no ano passado. Foi amortecido, mas não somos totalmente imunes”, afirmou a diretora de Relações com Investidores, Vanessa Rossini, em entrevista.
A taxa Selic atualmente está em 15% ao ano. O Ebitda ajustado da varejista foi de R$ 867 milhões, representando um aumento de 2,5% em relação ao quarto trimestre de 2024. Analistas esperavam um resultado operacional medido pelo Ebitda de R$ 793 milhões, segundo dados da LSEG.
A receita líquida nos últimos três meses do ano totalizou R$ 11,2 bilhões, um crescimento de 3,4% em relação ao mesmo período do ano anterior. No entanto, as vendas totais, que incluem lojas físicas, e-commerce com estoque próprio e marketplace, apresentaram uma queda de 1,1%, totalizando R$ 18,2 bilhões.
“A dinâmica de vendas está amarrada ao nosso foco na rentabilidade e geração de caixa”, disse Rossini. As vendas de comércio eletrônico caíram 5,3%, enquanto as do marketplace recuaram 11,7%. Em contrapartida, as lojas físicas da rede registraram um crescimento de 8,7% nas vendas, atribuído à menor competitividade no segmento.
“Temos um cenário muito mais competitivo no e-commerce. O mercado de loja física não cresce 9% como ele (e-commerce)”, destacou Rossini. Apesar da queda nas vendas online, a parceria com a plataforma de marketplace chinesa AliExpress continua sendo bem avaliada pela empresa.
“A parceria com o AliExpress tem sido um sucesso. Traz tráfego e vendas. Rentabilidade e reciprocidade são pilares para parcerias”, afirmou a diretora.
Para 2026, a empresa mantém uma perspectiva otimista, considerando o aumento da renda dos consumidores devido à isenção do imposto de renda para famílias com renda de até R$ 5 mil e a expectativa de um ciclo de queda de juros. Rossini mencionou também a Copa do Mundo como um evento historicamente favorável para vendas de bens duráveis e itens esportivos.
“Expectativa de queda de juros é muito favorável, mas se não cair temos um modelo de negócio resiliente que suporta cenário”, concluiu Rossini.


