A Copa do Mundo é conhecida por consagrar grandes potências do futebol, mas nem sempre o favoritismo prevalece. Ao longo das décadas, o torneio também ficou marcado por resultados improváveis, quando seleções consideradas menos tradicionais surpreenderam gigantes do esporte. Essas vitórias inesperadas, conhecidas como “zebras”, ajudaram a construir parte do fascínio do Mundial. Com a próxima edição prevista para 2026, a história das Copas segue repleta de episódios em que o roteiro parecia escrito para um lado, mas terminou completamente diferente dentro de campo.
Um dos primeiros grandes choques da história da Copa aconteceu no Brasil, em 1950. Na fase de grupos, os Estados Unidos derrotaram a Inglaterra por 1 a 0 em Belo Horizonte. O resultado ganhou o apelido de “Milagre de Belo Horizonte”. A seleção inglesa era vista como uma das mais fortes do mundo, enquanto os norte-americanos tinham um elenco formado em grande parte por jogadores semi-profissionais, muitos com outras ocupações fora do futebol. O gol de Joe Gaetjens garantiu uma vitória histórica que permanece como uma das maiores zebras do torneio.
Outra surpresa que entrou para o folclore das Copas ocorreu na Inglaterra, em 1966. A Coreia do Norte venceu a Itália por 1 a 0 e eliminou os europeus ainda na fase de grupos. A vitória colocou os asiáticos nas quartas de final e provocou enorme repercussão no futebol italiano, que passou por mudanças estruturais após a eliminação precoce. Até hoje, o episódio é lembrado como um dos maiores vexames da seleção italiana em Mundiais.
Na edição de 1982, na Espanha, a Argélia protagonizou um resultado surpreendente em sua estreia na Copa do Mundo, derrotando a Alemanha Ocidental por 2 a 1. A vitória representou a primeira vez que uma equipe africana superou uma potência europeia em Copas do Mundo, ampliando o reconhecimento internacional do futebol do continente.
Na abertura da Copa da Itália, em 1990, Camarões derrotou a Argentina, então campeã mundial e liderada por Diego Maradona, por 1 a 0. Mesmo terminando a partida com dois jogadores expulsos, os africanos seguraram o resultado e iniciaram uma campanha marcante que terminou nas quartas de final, a melhor de uma seleção africana até então.
A estreia da Copa de 2002 também produziu uma das maiores surpresas do século. A França, campeã mundial em 1998, perdeu por 1 a 0 para Senegal, que disputava sua primeira Copa. O resultado simbolizou a força emergente do futebol africano e abriu caminho para a campanha histórica dos senegaleses, que chegaram até as quartas de final.
Mesmo com a evolução do futebol e o acesso maior a informações sobre adversários, as zebras continuam acontecendo. Em 2014, a Costa Rica liderou um grupo que reunia três campeões mundiais — Uruguai, Itália e Inglaterra — e chegou às quartas de final. Já em 2018, a Alemanha, campeã de 2014, foi eliminada após perder por 2 a 0 para a Coreia do Sul na fase de grupos. Outro resultado que entrou para a lista ocorreu em 2022, quando a Arábia Saudita venceu a Argentina por 2 a 1 na estreia do torneio no Catar, quebrando uma longa sequência invicta dos sul-americanos.


