A mulher identificada como Márcia Gama é foragida da Justiça após não ser localizada pela Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro durante uma operação contra o Comando Vermelho na manhã desta quarta-feira, 11 de março de 2026.
Márcia Gama é mãe do artista conhecido como Oruam e esposa de Marcinho VP, uma das principais lideranças da facção carioca. Ela é apontada como um dos principais elos de comunicação da facção entre o sistema prisional e os integrantes da organização fora dos presídios.
Segundo a polícia, Márcia seria responsável por intermediar os interesses do Comando Vermelho entre os dois mundos. A mulher possui mais de 500 mil seguidores no Instagram e compartilha fotos que mostram sua relação com a família.
Em uma postagem recente, ela escreveu:
““Se eu pudesse gritar para o mundo, eu diria que há tempos você não está bem. Que só você sabe as dores que sente. As marcas, as feridas, a rejeição, a falta, o preconceito… tudo isso é visível. Mas muitos escolhem não ver. Porque, antes de enxergarem o rapaz maravilhoso que você é, fazem questão de enxergar o seu pai.””
Assim como a mãe, Oruam também é procurado pelas autoridades. Outro membro da família, identificado como Landerson, sobrinho de Marcinho VP, também é foragido após a ação desta manhã.
A operação prendeu o vereador Salvino Oliveira (PSD) e seis policiais militares. O político é acusado de negociar diretamente com o traficante Edgar Alves de Andrade, conhecido como Doca, uma autorização para realizar campanha eleitoral na comunidade da Gardênia Azul, área sob domínio do Comando Vermelho.
Segundo as investigações, como forma de compensação, o vereador teria articulado benefícios ao CV, apresentados como ações voltadas à população local, como a instalação de quiosques na região. A definição de parte dos beneficiários teria sido determinada por integrantes do crime organizado.
O gabinete do vereador afirmou que não recebeu informações oficiais sobre o ocorrido e que a assessoria jurídica já foi acionada. O advogado de Márcia, Flávio Fernandes, declarou que ainda não teve acesso aos documentos da investigação, mas confia na Justiça. Ele afirmou que Márcia estava viajando “como pessoa livre” desde segunda-feira, 9 de março.
A Polícia Militar informou que a Corregedoria acompanhou a Polícia Civil no cumprimento de mandados de prisão temporária e de busca e apreensão contra os seis policiais militares, que serão levados para a Cidade da Polícia e depois transferidos para a unidade prisional da corporação, em Niterói. O comando da PM afirmou que “não tolera desvios de conduta ou crimes cometidos por seus integrantes” e que pune rigorosamente os responsáveis quando os fatos são comprovados.


