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Marido de PM morta passa a ser investigado por feminicídio em São Paulo

Amanda Rocha
Tempo: 4 min.

O marido da policial militar Gisele Santana, encontrada morta em casa com um tiro na cabeça, passou a ser investigado após a Justiça de São Paulo determinar que a polícia apure a morte como feminicídio. A decisão ocorreu após a família contestar a versão inicial de suicídio, que foi alterada para morte suspeita.

A mudança na classificação se deu após um novo laudo necroscópico, realizado após a exumação do corpo, apontar lesões no rosto e no pescoço da vítima. Peritos indicaram que Gisele desmaiou antes de ser baleada e que não apresentou defesa. O marido, tenente-coronel da PM Geraldo Leite Rosa Neto, de 53 anos, estava no apartamento no dia da morte, em 18 de fevereiro, e foi quem acionou o socorro.

A defesa de Geraldo afirmou que ainda não teve acesso aos laudos necroscópicos e lamentou os vazamentos de documentos. A defesa também reiterou que o que importa é o conteúdo da investigação, sustentando que se trata de um suicídio e não um feminicídio. A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo informou que a investigação continua e que detalhes serão preservados devido ao sigilo judicial.

Uma reunião entre integrantes da Secretaria da Segurança e do Ministério Público está prevista para ocorrer, onde se aguarda a liberação de outro laudo que poderá resultar em um pedido de prisão do tenente-coronel.

Investigações revelaram que uma vizinha ouviu um estampido por volta das 7h28, cerca de meia hora antes da primeira ligação de Geraldo ao serviço de emergência, feita às 7h57, onde ele afirmou que a esposa havia se suicidado. Minutos depois, ele ligou para o Corpo de Bombeiros, informando que Gisele ainda estava respirando.

Outro ponto que chamou a atenção dos investigadores foi a posição da arma. Um socorrista relatou que a arma parecia estar “bem encaixada” na mão da mulher, o que é incomum em casos de suicídio. Além disso, o sangue já estava coagulado quando a equipe chegou ao apartamento e não havia cartucho de bala no local.

Depoimentos de socorristas levantaram questionamentos sobre a versão apresentada por Geraldo. Ele afirmou que estava no banho quando ouviu o disparo, mas os bombeiros que chegaram ao local relataram que ele estava seco e não havia marcas de água no chão do apartamento. O tenente-coronel também não demonstrou desespero ao telefone e não apresentava marcas de sangue.

Entre os contatos feitos por Geraldo, uma ligação para o desembargador Marco Antônio Pinheiro Machado Cogan, do Tribunal de Justiça de São Paulo, chamou a atenção da família de Gisele. O desembargador chegou ao prédio às 9h07 e subiu para o apartamento com o tenente-coronel.

Uma câmera de segurança registrou a entrada e saída de três policiais no apartamento, que foram ao local para fazer a limpeza do imóvel. As policiais serão ouvidas na investigação. O caso segue sob investigação da Polícia Civil e da Corregedoria da Polícia Militar.

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