A Justiça do Rio Grande do Sul concedeu a progressão ao regime aberto para Mauro Londero Hoffmann, ex-sócio da Boate Kiss, condenado a 12 anos de prisão pela morte de 242 pessoas no incêndio ocorrido em 27 de janeiro de 2013, em Santa Maria (RS).
O Tribunal de Justiça (TJ-RS) deferiu o pedido após parecer favorável do Ministério Público. Entre as condições estabelecidas estão o uso de tornozeleira eletrônica, recolhimento noturno e a possibilidade de seguir trabalhando.
A defesa de Hoffmann afirmou que houve “preenchimento da integralidade dos requisitos legais” para a progressão do regime e ressaltou que ele tem cumprido rigorosamente a pena imposta.
Elissandro Spohr, outro ex-sócio da Boate Kiss, já responde pelo crime em regime aberto. Ele também foi condenado a 12 anos de prisão e teve a progressão autorizada pela Justiça no ano passado. A Polícia Penal informou que a tornozeleira eletrônica foi instalada e que Spohr não está mais na unidade prisional.
A decisão de Hoffmann segue a progressão de regime concedida a Spohr, que é o primeiro dos réus a receber o benefício. As condições para o regime aberto incluem manter vínculo de trabalho, comparecer periodicamente ao Judiciário e usar a tornozeleira eletrônica.
Em outubro de 2025, a Justiça havia concedido a Spohr o direito à saída temporária da prisão para trabalho, devendo retornar à penitenciária à noite. Além de Hoffmann e Spohr, o músico Marcelo de Jesus dos Santos e o assistente da banda Luciano Bonilha Leão também tiveram as penas reduzidas em um julgamento realizado em 26 de agosto de 2025.
O Ministério Público ingressou com um recurso pedindo a modificação da decisão que reduziu as penas, visando restabelecer as condenações aplicadas pelo Tribunal do Júri em dezembro de 2021.
No julgamento, a 1ª Câmara Especial Criminal do Tribunal de Justiça do RS manteve a validade do júri e decidiu, por unanimidade, reduzir as penas dos réus. As penas finais foram fixadas em 11 anos de reclusão para Luciano e Marcelo, e 12 anos para Elisandro e Mauro no regime fechado.
A maioria das vítimas do incêndio na Boate Kiss morreu por asfixia devido à fumaça tóxica gerada pelo fogo que atingiu a espuma do teto do palco. Um artefato pirotécnico usado por um dos membros da banda teria iniciado o incêndio, levando a uma corrida desesperada em busca de saídas.
A defesa de Hoffmann reiterou que ele permanece cumprindo rigorosamente a pena imposta.


