O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, defendeu um acordo de cooperação com os Estados Unidos para combater o narcotráfico durante audiência na Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara dos Deputados, realizada em 18 de março de 2026.
Vieira foi questionado sobre a posição do Brasil em relação à guerra no Oriente Médio e a possibilidade de os EUA classificarem organizações criminosas brasileiras como terroristas. O deputado General Pazuello (PL-RJ) afirmou que o Brasil deve ter uma postura firme de apoio aos EUA, mencionando a situação do Irã.
“Nós não podemos deixar que um governo como o do Irã massacre dezenas de milhares de pessoas e fique por isso mesmo”, disse Pazuello. Em resposta, Vieira ressaltou que o Brasil condenou tanto as ações dos EUA e de Israel quanto as do Irã, e destacou que os ataques começaram em 28 de fevereiro, durante negociações sobre a questão nuclear do Irã.
O deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP) mencionou o pedido de demissão do diretor de contraterrorismo dos EUA, Joe Kent, que afirmou que o Irã não representa uma ameaça aos EUA. Por outro lado, o deputado Lucas Redecker (PSDB-RS) defendeu a intenção americana de classificar as organizações criminosas brasileiras como terroristas, argumentando que isso facilitaria a adoção de sanções contra esses grupos.
O ministro Vieira afirmou que o governo brasileiro não aprovará a classificação de organizações terroristas, pois isso poderia colocar a soberania nacional em risco. “Nós não podemos deixar que a soberania nacional esteja sob risco ou nas mãos de países estrangeiros”, afirmou.
Em relação a um requerimento do deputado Gustavo Gayer (PL-GO) sobre bases militares chinesas no Brasil, Vieira comentou sobre o telescópio Bingo, localizado na Paraíba. Ele explicou que o telescópio é uma parceria entre instituições científicas do Brasil, Reino Unido, África do Sul e China, e que não há relação com atividades de espionagem ou objetivos militares.
Além disso, Vieira esclareceu que a chamada “estação tucano”, mencionada em um relatório americano, não existe, sendo um projeto de uma empresa privada que não foi concretizado.


