O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou nesta quarta-feira (18) que o conflito no Oriente Médio envolvendo o Irã deve impactar os índices de inflação e o setor de energia. O governo também avalia a possível repercussão no abastecimento de fertilizantes.
Durante audiência na Comissão de Relações Exteriores do Senado, o chanceler destacou que a interrupção do fluxo no Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% da produção de petróleo internacional, afeta toda a economia mundial.
““A interrupção desse fluxo pode e afetará gravemente a economia mundial, vai produzir escassez de vários produtos, vai produzir escassez de energia, vai produzir grande inflação, vai ser um elemento de desequilíbrio, de transtorno, em todo o mundo”,”
disse.
O aumento do preço do petróleo em escala internacional, causado pelo fechamento do Estreito de Ormuz, motivou medidas de redução de alíquotas no Brasil para conter o preço dos combustíveis, especialmente do diesel. Sobre a possível falta de fertilizantes para o agronegócio brasileiro, Vieira afirmou que o Executivo monitora o impacto e busca diversificar o comércio para evitar dependência centralizada.
““Impactos podem ser, sem dúvida, muito grandes, não é tanto pela questão do petróleo ou da questão da segurança alimentar, porque também somos autônomos em questão de segurança alimentar, mas a questão dos fertilizantes é [algo] complexo. Por isso também temos que diversificar as nossas fontes de comércio”,”
afirmou.
Além de sua presença no Senado, o ministro também compareceu à Comissão de Relações Exteriores da Câmara, onde foi convocado. Durante sua passagem pelo Congresso, Vieira relatou que o governo recebeu com “surpresa” os ataques contra o Irã, considerando que há negociações diplomáticas em curso. O chanceler reiterou o posicionamento brasileiro em favor de negociações diplomáticas para a resolução do conflito.
Na reunião do Senado, ele criticou a “paralisia” e o “papel secundário” da Organização das Nações Unidas. O conflito no Oriente Médio está na terceira semana de desdobramentos, com ofensivas militares dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, que retaliou diversas nações na região. De acordo com Mauro Vieira, o governo brasileiro também está preocupado com o risco de “fragmentação do Irã” e os possíveis desdobramentos, como fluxos migratórios para países vizinhos e a proliferação de milícias armadas.


