A mecânica Ana Cláudia Ramos, de Taubaté, no interior de São Paulo, abriu sua oficina há 20 anos e conquistou espaço em um setor tradicionalmente dominado por homens. No Dia Internacional da Mulher, celebrado neste domingo (8), ela compartilha sua trajetória e como busca ajudar mulheres que se sentem mais confortáveis com a presença feminina na oficina.
O interesse de Ana pela mecânica começou com trocas de óleo nos carros, onde frequentemente se deparava com a surpresa dos clientes. Ela relembra:
“”‘É você que vai trocar? É você que vai fazer a troca de óleo?’ Sempre foi assim. Achando que tem alguém, mas não tem mais ninguém, não, porque não sou eu mesma que vou fazer”.”
Com o tempo, os clientes começaram a solicitar outros serviços além da troca de óleo. O chefe de Ana sugeriu abrir uma oficina, onde ela iniciou seus primeiros trabalhos na área. Apesar das dificuldades iniciais, como a desconfiança de alguns clientes, Ana se destacou.
Ela afirma que muitas mulheres procuram sua oficina por se sentirem mais à vontade em um ambiente comandado por outra mulher.
“”Eu sou muito clara em tudo que eu vou fazer (…) Eu tiro e mostro. Eu tiro foto, faço vídeo. Eu abordo a situação de um jeito, não fico empurrando as coisas””
, comentou Ana, ressaltando que essa abordagem ajudou a construir a confiança das clientes.
Atualmente, muitos novos atendimentos chegam por indicação. Além de gerir seu negócio, Ana deseja incentivar outras mulheres a conhecerem o mundo da mecânica, mostrando que qualquer pessoa pode seguir a profissão que desejar, independentemente do gênero.
O número de microempreendedoras individuais mulheres no Vale do Paraíba cresceu nos últimos anos, segundo dados do Ministério da Fazenda. Em 2021, eram 80.330 MEIs registradas em nome de mulheres, número que saltou para 120.348 em 2026, representando um aumento de 50% desde 2021.
Camila Luz, que deixou o cargo de diretora de escola para empreender, vende produtos de beleza diretamente na casa de clientes. Ela afirmou:
“”Tomar-me MEI, tornar-me empreendedora, me deu outras possibilidades que, enquanto colaboradora, eu não tinha””
.
Daniele Lima, que sempre trabalhou no ramo da beleza, decidiu abrir seu próprio espaço após se tornar mãe, permitindo que outras profissionais também pudessem se desenvolver.
“”O MEI facilita isso, ainda mais por se tratar de um empreendimento novo, de um lugar novo””
, disse Daniele.

