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Médica vítima de assédio sexual em jogo da Série A4 fala sobre o episódio

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

A médica Bianca Francelino, que sofreu assédio sexual por torcedores durante uma partida no Estádio Palma Travassos, em Ribeirão Preto (SP), afirmou que não desistirá de trabalhar no esporte. O incidente ocorreu no sábado (7), durante o jogo entre Comercial e Nacional-SP, válido pela nona rodada da Série A4 do Campeonato Paulista.

Em declaração feita na segunda-feira (9), Bianca disse:

“”Isso não me desanima, porque eu tenho a paixão pelo esporte. É onde eu quero atuar e, de forma alguma, isso me cala, me desanima ou qualquer coisa do tipo. Eu sei que isso não reflete o espírito do esporte, a união do esporte e do futebol.””

A médica estava prestando assistência ao time visitante e relatou ter ouvido ofensas de cunho sexual durante toda a partida. Ela mencionou que os torcedores gritavam:

“”doutora gostosa, vem aqui me examinar”, “doutora gostosa, estou com uma dor aqui”.”

Além disso, Bianca afirmou que os torcedores a incentivavam a não estar em campo se não quisesse ouvir tais comentários.

O Comercial emitiu uma nota repudiando o assédio e informou que um dos torcedores já foi identificado. A Federação Paulista de Futebol (FPF) declarou que o caso foi encaminhado às autoridades competentes e que os responsáveis serão punidos de forma rigorosa. A árbitra acionou o protocolo de diversidade e contra a intolerância no futebol paulista, garantindo apoio à médica.

O namorado de Bianca, Paulo Galvão, e seu sogro estavam na arquibancada e presenciaram o assédio. Paulo relatou que tentou confrontar um dos torcedores e foi ameaçado. Ele disse:

“”Eu falei ‘cara, é minha mulher, estou pedindo respeito’.””

Ele também mencionou que a Polícia Militar foi chamada, mas a abordagem inicial foi para retirar ele e seu pai do local, em vez do torcedor que assediava Bianca.

A súmula da partida registrou que a árbitra Ana Caroline D’Eleutério foi informada sobre o assédio pelo quarto árbitro, após o técnico do Nacional-SP, Tuca Guimarães, relatar que um torcedor havia feito gestos obscenos em direção à médica.

O advogado Vitor Silva Muniz, presidente da Comissão de Direito Desportivo da OAB de Ribeirão Preto, afirmou que o Comercial pode ser responsabilizado e multado em até R$ 100 mil. Os torcedores identificados também podem ser proibidos de entrar no estádio por até dois anos.

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