Uma menina de 10 anos denunciou o abuso sexual cometido pelo padrasto após participar da campanha educativa “Maio Laranja”, realizada na escola em Campina Verde, no Triângulo Mineiro. A campanha incluiu o “semáforo do toque”, que ensina as crianças sobre os limites do corpo e quais toques são permitidos.
A iniciativa, em parceria com a Polícia Militar, visa conscientizar e prevenir a violência sexual contra crianças e adolescentes. Durante as atividades, a menina confidenciou a duas amigas sobre os abusos que sofria em casa. As colegas, percebendo a gravidade da situação, informaram as professoras, que então chamaram a aluna para uma conversa reservada.
Em lágrimas, a criança relatou que o padrasto passava as mãos em suas partes íntimas. A escola acionou o Conselho Tutelar, que comunicou o Ministério Público e encaminhou o caso à Polícia Civil. Atualmente, a menina vive com o pai por determinação judicial e recebe acompanhamento psicológico.
O padrasto, de 38 anos, foi preso na manhã de quinta-feira (5) sob suspeita de estupro de vulnerável. A mãe da criança não tinha conhecimento dos abusos. O delegado Fúlvio Sampaio afirmou que muitas denúncias surgem após orientações nas escolas, permitindo que as crianças reconheçam situações de risco.
““É bem comum. Essas crianças são inocentes e não conversam sobre isso em casa. Então, quando abordamos o tema, com questões ainda do semáforo do toque, é que elas começam a se despertar para o assunto”, disse Sampaio.”
A metodologia do “semáforo do toque” utiliza as cores do semáforo de trânsito para ensinar limites do corpo: verde para toques permitidos, amarelo para atenção e vermelho para toques proibidos. Os abusos ocorreram na casa onde a menina morava com a mãe e o padrasto, iniciando no final de 2024 e se estendendo ao longo de 2025.
Antes da campanha em maio de 2025, a menina já havia procurado uma professora para relatar os abusos, mas a educadora interrompeu a narrativa e encaminhou a aluna à supervisão escolar. As professoras notaram que a criança era tímida, apresentava dificuldades de aprendizagem e demonstrava carência afetiva. Após mudar-se para a casa do pai, a menina apresentou mudanças significativas, tornando-se mais aberta e comunicativa.
A Justiça autorizou a prisão preventiva do padrasto, que foi levado para o Presídio de Iturama. Durante a investigação, foram coletadas provas, depoimentos da vítima e testemunhas, além de um laudo pericial compatível com violência sexual. O suspeito nega as acusações, mas há evidências em seu celular de tentativas de apagar registros relacionados ao caso.
O celular do investigado foi apreendido e será periciado. A Polícia Civil informou que a investigação ainda não foi concluída, e o Ministério Público instaurou um procedimento investigativo. O Conselho Tutelar também foi acionado e começou a acompanhar a criança.

