Uma criança Yanomami de 1 ano e 11 meses faleceu na tarde de sábado (14) durante um voo de remoção para Boa Vista. A menina, da comunidade Xitei, na Terra Indígena Yanomami, pesava 6,1 kg e apresentava quadro grave de desnutrição, malária e verminose.
O atestado de óbito indica que a criança morreu por volta das 17h30, quando a aeronave se aproximava da capital. Ela teve insuficiência respiratória, associada à síndrome de Loeffler e ascaridíase, doenças provocadas por parasitas.
No pedido de transporte aéreo, os profissionais de saúde registraram que a criança apresentava desnutrição grave e sinais de desidratação. O Distrito de Saúde Indígena Yanomami (Dsei-Y) e o Ministério da Saúde estão acompanhando o caso.
O presidente da Urihi, Waihiri Hekurari Yanomami, relatou que a criança foi retirada da comunidade Xitei na quinta-feira (12) e levada para o Polo Base de Surucucu, onde permaneceu em observação por dois dias. A equipe médica solicitou uma nova remoção ao perceber a gravidade do quadro.
““A criança estava muito doente, com malária, desnutrição, desidratação e vomitando. Foi solicitado o voo para levar para Boa Vista”, disse Hekurari.”
O pedido para a aeronave foi feito por volta das 10h29 de sábado, mas o resgate ocorreu cerca de seis horas depois, por volta das 16h20. Durante o voo, a criança não resistiu e faleceu. O corpo foi levado de volta para a comunidade no domingo (15).
Hekurari expressou preocupação com a morte, afirmando que outras crianças já morreram recentemente em situações semelhantes. Ele destacou:
““Não era para estar morrendo mais nenhuma criança Yanomami por doenças simples, como vermes, diarreia ou malária.””
A Terra Indígena Yanomami, localizada no Amazonas e em Roraima, possui quase 10 milhões de hectares e abriga mais de 31 mil indígenas em 370 comunidades. O território está em emergência de saúde desde janeiro de 2023, quando o governo federal iniciou ações para atender os indígenas, incluindo o envio de profissionais de saúde e cestas básicas.

