A semana da Superquarta começou com o mercado mais cauteloso. A reunião do Banco Central (Copom), que se inicia nesta manhã, ocorre em um ambiente externo barulhento e imprevisível.
A XP Investimentos já sinaliza a possibilidade de manutenção da Selic, citando riscos no fornecimento global e a escalada do preço do petróleo, que impacta diretamente a inflação. Embora alguns economistas ainda apostem em um corte, a expectativa é de uma redução mais modesta, de 0,25 ponto percentual, enquanto a redução de meio ponto parece ter se tornado improvável.
Esse tom cauteloso não é exclusivo do Brasil, refletindo uma tendência global. A semana é marcada por decisões de política monetária nas principais economias, incluindo o Banco Central Europeu e o Banco do Japão.
A guerra no Oriente Médio continua sendo uma variável-chave, afetando os preços da energia e, consequentemente, as decisões sobre juros. Este tipo de choque não se resolve apenas com ações de bancos centrais, o que exige uma postura mais prudente.
Nos Estados Unidos, o Federal Reserve deve manter os juros entre 3,50% e 3,75%. O mercado aguarda ansiosamente o tom de Jerome Powell em sua penúltima reunião à frente do Fed. A dúvida persiste: até que ponto o Fed percebe a inflação reagindo com o aumento dos preços do petróleo?
A resposta a essa questão poderá influenciar o humor global e, por consequência, o espaço de manobra do Brasil. O comunicado do Banco Central brasileiro também será observado de perto, especialmente em relação à possibilidade de uma redução nos juros nos próximos meses.
A decisão sobre a Selic será divulgada amanhã, após as 18h30. No entanto, o veredito já parece estar se desenhando: menos euforia e mais prudência.

