A cantora Britney Spears, aos 44 anos, decidiu vender os direitos sobre seu catálogo musical, que inclui mais de 150 milhões de discos vendidos e nove álbuns. O negócio, anunciado recentemente, foi fechado com a Primary Wave, uma empresa americana especializada na gestão de direitos musicais, e está avaliado em 200 milhões de dólares.
A venda de catálogos musicais tem se tornado uma tendência crescente na indústria, onde artistas buscam liquidez financeira e uma gestão especializada de seus legados. Nomes como Justin Bieber, Bruce Springsteen e Bob Dylan também venderam seus catálogos, visando não apenas a liquidez, mas também uma administração mais eficiente de suas obras em um mercado digital e segmentado.
No Brasil, o Nas Nuvens Music Group, uma das principais empresas do setor, ampliou seu portfólio de 35 para 85 catálogos em três anos, em parceria com a Primary Wave. A mais recente aquisição foi parte dos direitos de Gilberto Gil, embora os valores não tenham sido divulgados. Ricardo Queirós, diretor artístico da empresa, afirmou: “Nosso objetivo é trabalhar na internacionalização desse catálogo, que tem espaço para crescer fora do país”.
A compra e venda de catálogos pode ocorrer de várias formas, incluindo cessões parciais de arrecadação e direitos de licenciamentos em plataformas de streaming. No formato mais abrangente, todos os direitos patrimoniais são adquiridos, permitindo ao artista receber um pagamento baseado em projeções de ganhos futuros.
Scott Rocco Dezorzi, advogado especializado em propriedade intelectual, explica que essa estratégia troca a renda futura por liquidez imediata, permitindo que o artista continue sendo o autor, mas negocie a exploração econômica de sua música.
Entretanto, nem todos os artistas concordam com essa prática. Paul McCartney, por exemplo, lutou para recuperar parte dos direitos da discografia dos Beatles, que foram comprados por Michael Jackson em 1985. Taylor Swift também comprou os direitos de reprodução de seus primeiros álbuns por 360 milhões de dólares, após uma batalha para reaver o controle sobre seu trabalho.
Dua Lipa seguiu o mesmo caminho, adquirindo suas masters para ter maior autonomia sobre sua carreira. A diferença de opiniões é evidente: enquanto alguns artistas preferem usufruir dos valores imediatos, outros priorizam o controle sobre suas obras. Stevie Nicks, da banda Fleetwood Mac, revelou que vendeu 80% de seu catálogo por 100 milhões de dólares durante a pandemia, mas hoje se questiona se tomaria a mesma decisão novamente.

