A Meta, gigante da tecnologia dos Estados Unidos, tem enfrentado dificuldades em impedir a veiculação de anúncios ilegais de produtos financeiros de alto risco em suas plataformas no Reino Unido. A Autoridade de Conduta Financeira (FCA) do país constatou que, em uma semana de novembro, 1.052 anúncios de negociação de moedas e instrumentos financeiros complexos foram publicados por anunciantes não autorizados.
Além disso, 56% desses anúncios eram de anunciantes já sinalizados à Meta pela FCA. A análise revelou que bilhões de usuários das plataformas da Meta foram expostos a anúncios fraudulentos relacionados a comércio eletrônico, investimentos e produtos médicos proibidos.
A FCA alertou que os golpes de negociação online têm se tornado cada vez mais comuns nas redes sociais. A revisão da FCA visou avaliar a eficácia da Meta em eliminar esses anúncios fraudulentos. Ryan Daniels, porta-voz da Meta, afirmou que a empresa combate fraudes de forma agressiva e toma medidas rápidas na maioria dos casos.
““Fraude é o crime mais comum no Reino Unido”, disse um porta-voz da FCA.”
A FCA destacou que a Meta veicula uma quantidade desproporcional de anúncios financeiros suspeitos. Em dezembro, a FCA repetiu sua análise e constatou que um pequeno número de infratores reincidentes era responsável pela maioria dos anúncios ilegais, sem especificar números.
A Meta, que se comprometeu em 2022 a permitir apenas anunciantes autorizados pela FCA, não tem sido capaz de demonstrar uma diferença significativa em sua abordagem, segundo a FCA. A empresa afirmou que os anunciantes de serviços financeiros no Reino Unido precisam ser autorizados e são responsáveis por cumprir a legislação aplicável.
A Lei de Segurança Online do Reino Unido, que permite multas de até 10% da receita global por veiculação de conteúdo ilegal, começou a entrar em vigor em março de 2025, mas a disposição sobre anúncios fraudulentos foi adiada para 2027. A FCA pode tomar medidas contra anunciantes não autorizados, mas muitos estão fora do Reino Unido.
O Ministro da Fraude, David Hanson, afirmou que continuará a pressionar as empresas de tecnologia para combater os golpes. A análise da FCA focou em anúncios de negociação de câmbio e contratos por diferença (CFDs), considerados de alto risco para os consumidores.
““Estamos trabalhando em ritmo acelerado para implementar isso”, disse um porta-voz da Ofcom sobre a Lei de Segurança Online.”
A Reset Tech, um grupo de defesa dos direitos digitais, analisou anúncios da Meta e descobriu que 51,1% dos 2.913 anúncios identificados eram provavelmente golpes. A empresa estimou que a Meta poderia hospedar 29.068 anúncios fraudulentos relacionados a bancos ao longo de um ano, resultando em 53,6 milhões de exposições cumulativas na Grã-Bretanha e na União Europeia.


