A atriz Miá Mello enfrenta dificuldades no Catar após ficar retida devido ao fechamento do espaço aéreo na região, consequência do conflito no Oriente Médio. Em entrevista, ela relatou a situação angustiante desde que seu voo com destino à Tailândia foi cancelado.
Miá e seu marido faziam uma escala de 12 horas em Doha quando, ao desembarcarem, receberam alertas em árabe em seus celulares. Ao chegarem ao saguão do aeroporto, perceberam que diversos voos estavam atrasados ou cancelados. O casal decidiu sair para a cidade e encontrou um cenário incomum, com estabelecimentos fechados e o que parecia ser o som de explosões.
“A gente ouviu um barulho de bomba e aí eu fiquei assustada. Meu marido até falou ‘pelo amor de Deus, não fala isso’, mas eu tomei um susto tão grande com o barulho e aí a gente logo se abrigou num café que tinha do lado”, contou a atriz. Por sorte, o local era parte de um hotel, onde conseguiram se hospedar.
A falta de informações e assistência tem sido um dos maiores problemas enfrentados pelo casal. Segundo Miá, a comunicação com a companhia aérea Qatar Airways é praticamente inexistente. “Não tem nenhum telefone que a gente consegue falar, não tem nenhum contato. A única comunicação é uma vez por dia, e agora nem mais por dia, só daqui dois dias, via X”, explicou, referindo-se à rede social anteriormente conhecida como Twitter.
A situação é agravada pela impossibilidade de recuperar as bagagens, que segundo a companhia aérea só serão entregues quando chegarem ao Brasil. “A gente tá com duas mudas de roupa e o meu marido, sabe, disfarçando a roupa pro moço do hotel não ver que a gente tá com a mesma roupa”, relatou.
Além das dificuldades práticas, Miá expressou preocupação com seus filhos que ficaram no Brasil – um pequeno e uma adolescente – e com compromissos profissionais. “Hoje reestreia a minha peça aqui, ainda bem que a minha diretora Paula Coen vai poder me representar lá, mas ainda assim tô com o coração partido”, lamentou.
A atriz mencionou que tem recebido algum suporte da embaixada brasileira através de um grupo de WhatsApp, mas as informações são limitadas. Uma guia de turismo brasileira chamada Aline tem sido sua principal fonte de apoio local, informando que existem cerca de 30 brasileiros na mesma situação.
Como ponto positivo, Miá destacou que o governo do Catar começou a pagar as despesas de hospedagem, o que trouxe algum alívio financeiro. “A gente tá super bem, a gente tá bem hospedado, a gente tá tranquilo, comendo bem”, ressaltou, apesar da situação adversa.

