O presidente da Argentina, Javier Milei, se reunirá nesta terça-feira (10) com investidores em Nova York para apresentar a recuperação econômica do país, mesmo diante da guerra no Irã, que impacta os preços do petróleo e os mercados emergentes.
Milei fará sua apresentação na nova sede do JPMorgan em Midtown Manhattan, como parte da “Semana Argentina”, uma série de eventos destinados a atrair investimentos para a Argentina. O objetivo é demonstrar que o esforço de estabilização do país continua a gerar oportunidades, apesar do contexto global desafiador.
“Estamos falando em criar conexões, estabelecer o ambiente certo para que essas conversas sejam produtivas”, afirmou Manuel Adorni, chefe de gabinete e porta-voz de Milei, durante uma recepção no consulado argentino em Nova York na noite de segunda-feira (9).
““Queremos construir confiança, queremos lançar as bases para que possamos estabelecer um relacionamento de longo prazo”, disse Adorni.”
O apoio do governo dos Estados Unidos é considerado fundamental para a estratégia de Milei. O governo do presidente Donald Trump já havia manifestado apoio a Milei antes das eleições de meio de mandato na Argentina, em outubro de 2025, e ampliou a cooperação financeira com Buenos Aires.
Uma linha de crédito dos Estados Unidos ajudou a evitar uma corrida ao peso antes das eleições. Em fevereiro, os dois países assinaram um acordo recíproco de comércio e investimento, visando facilitar o investimento norte-americano, especialmente no setor de minerais críticos.
““Eles estão simplesmente reiterando as oportunidades de investimento na Argentina e enviando uma mensagem de estabilidade macroeconômica e política”, afirmou Armando Armenta, economista sênior da AllianceBernstein.”
O governo argentino acredita que cortes nos gastos públicos, desregulamentação e aperto fiscal estão começando a restaurar a estabilidade macroeconômica, após anos de crises e inflação elevada. Contudo, os investidores permanecem cautelosos em relação a essas reformas, que incluem uma reforma trabalhista aprovada pelo Congresso, considerada uma vitória legislativa para Milei.
A Argentina enfrenta o desafio de reconstruir suas reservas cambiais e recuperar o acesso aos mercados de capitais, após anos de inadimplência e controles de capital. A “Semana Argentina” contará com a presença de autoridades como o ministro da Economia, Luis Caputo, o presidente do Banco Central, Santiago Bausili, e o ministro da Desregulamentação, Federico Sturzenegger.
As autoridades esperam que o evento demonstre que as reformas estão gerando oportunidades de investimento, especialmente em setores como energia, mineração, agricultura e tecnologia. A aproximação com os Estados Unidos representa uma mudança após anos de influência econômica da China na América do Sul, embora a China continue sendo um dos principais parceiros comerciais da Argentina.
Os preços do petróleo subiram quase 30% neste mês, alcançando cerca de US$ 90 por barril, em meio aos conflitos no Irã, enquanto o fortalecimento do dólar fez alguns investidores se afastarem dos mercados emergentes. O índice Merval, principal referência das ações argentinas, atingiu seu nível mais baixo desde outubro na semana passada.
Para Milei, o desafio é convencer os investidores de que as reformas da Argentina merecem atenção, mesmo em um cenário de busca por ativos mais seguros.


