Um estudo do MapBiomas revelou que Minas Gerais lidera o ranking nacional de área urbanizada em terrenos de alta declividade, áreas mais suscetíveis a deslizamentos. O levantamento, divulgado nesta quarta-feira (4), analisou o crescimento urbano entre 1985 e 2024, constatando que as áreas urbanas no país triplicaram nesse período, de 1,8 milhão de hectares para 4,5 milhões de hectares.
A ocupação de áreas com alta declividade também triplicou, atingindo 43,4 mil hectares, sendo 40,5 mil hectares localizados na Mata Atlântica. Em Minas Gerais, a área urbanizada em terrenos íngremes aumentou significativamente, chegando a 14,5 mil hectares.
Juiz de Fora é a terceira cidade brasileira com maior ocupação urbana em áreas de inclinação superior a 30%, atrás apenas de Rio de Janeiro e São Paulo. No município da Zona da Mata, a ocupação dessas áreas saltou de 547 hectares em 1985 para 1.256 hectares em 2024, um aumento de 2,3 vezes. O estudo destaca que o processo de urbanização mineiro desafia a geografia do estado, principalmente na Zona da Mata, devido ao relevo acidentado.
Em 1985, as cidades com maior ocupação em áreas de alta declividade eram Rio de Janeiro, Belo Horizonte e São Paulo. Em 2024, o Rio continua em primeiro lugar, seguido por São Paulo e Juiz de Fora, superando Belo Horizonte.
O estudo também apontou crescimento expressivo da urbanização em áreas próximas a cursos d’água, com um aumento de 145% nas áreas urbanizadas até três metros acima da linha de drenagem natural, passando de 493 mil hectares para 1,2 milhão de hectares.
Quando se considera a proporção da área urbana estadual em situação de vulnerabilidade a enchentes, Roraima lidera, com 46,4%, seguido por Rio de Janeiro (43%) e Amapá (37,6%). Os dados reforçam a necessidade de conciliar crescimento urbano e planejamento territorial em um cenário de mudanças climáticas e maior frequência de desastres naturais.
As fortes chuvas que atingiram a Zona da Mata de Minas Gerais deixaram 65 mortos em Juiz de Fora e sete em Ubá. Em Juiz de Fora, mais de 8.584 pessoas estão desabrigadas e desalojadas, enquanto em Ubá, 396 pessoas foram desalojadas e 25 desabrigadas. Equipes do Corpo de Bombeiros continuam as buscas por um desaparecido em Ubá.

