O Irã colocou ao menos 12 minas navais no Estreito de Ormuz, conforme informou a agência Reuters nesta quarta-feira (11). A instalação dessas minas representa uma ameaça significativa para navios comerciais que transportam principalmente petróleo e gás natural liquefeito.
O Estreito de Ormuz é uma rota marítima crucial, pela qual passa cerca de 20% do petróleo comercializado no mundo. A região é estratégica, situada entre o território iraniano e a Península Arábica. Desde o início da guerra em 28 de fevereiro, o Irã anunciou que estava fechando o estreito e ameaçou atacar embarcações que tentassem cruzá-lo. Como resultado, o tráfego marítimo na área caiu drasticamente.
Recentemente, a inteligência dos EUA identificou sinais de que o Irã poderia minar a área. As minas navais são explosivos que podem ficar submersos ou à deriva, sendo acionados automaticamente por contato ou pela passagem de embarcações.
Estimativas indicam que o governo iraniano possui entre 2 mil e 6 mil minas navais. Existem diferentes modelos de minas, algumas fixadas ao fundo do mar, outras ancoradas a profundidades variadas ou à deriva. Modelos mais simples explodem ao impacto, enquanto versões modernas utilizam sensores para detectar alterações no campo magnético, pressão da água ou ruído dos motores.
De acordo com análises do Strauss Center, da Universidade do Texas, o Irã mantém um arsenal variado de minas, incluindo modelos de origem soviética, ocidental e de fabricação própria. Um dos modelos mais avançados em posse do país é a EM-52, de origem chinesa, que dispara um foguete em direção ao alvo ao detectar a passagem de uma embarcação. No entanto, a capacidade do Irã de instalar minas desse tipo em grande escala é limitada, pois o país possui apenas três submarinos adequados para lançá-las.
Mesmo que o Irã consiga atingir navios no Estreito de Ormuz, é improvável que uma única mina afunde uma embarcação de grande porte, como um petroleiro, embora danos possam ocorrer. O uso de minas marítimas é regulamentado pela Convenção de Haia de 1907, que proíbe a instalação de minas de contato perto da costa ou de portos inimigos.
Na terça-feira (10), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, exigiu que o Irã desistisse de instalar minas na região ou removesse qualquer explosivo já colocado. “Se, por qualquer motivo, minas foram colocadas e não forem removidas imediatamente, as consequências militares para o Irã serão de uma magnitude sem precedentes”, afirmou Trump. Ele também declarou que os Estados Unidos monitoram a região e destruirão qualquer embarcação utilizada para minar o Estreito de Ormuz.
O Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) anunciou que atacou vários barcos iranianos na terça-feira, incluindo 16 embarcações usadas para transportar minas navais. As tensões no Estreito de Ormuz resultaram em um aumento significativo no preço do barril de petróleo, com o comando militar do Irã alertando que a cotação poderia chegar a US$ 200. Trump também mencionou a possibilidade de tomar o controle do Estreito de Ormuz e afirmou que poderia destruir o Irã caso o país tentasse interferir na região.


