Em setembro de 1987, Devair Ferreira, proprietário de um ferro-velho em Goiânia, adquiriu de dois catadores uma cápsula de chumbo encontrada nas ruínas de uma antiga clínica. Ao perceber que o material emitia um brilho azulado, trouxe-o para casa, sem saber do perigo que representava. Ele mostrou a cápsula para sua família e deu um punhado do pó brilhante para amigos e parentes.
O que parecia uma descoberta fascinante era, na verdade, césio-137, uma substância altamente radioativa que alimentava uma máquina de radioterapia abandonada em uma clínica desativada. A exposição ao material fez com que as pessoas começassem a adoecer rapidamente, dando início ao maior acidente radioativo da história do Brasil.
A minissérie ‘Emergência Radioativa’, que estreia na Netflix no dia 18 de março de 2026, retrata em detalhes esse trágico evento. Protagonizada por Johnny Massaro, que interpreta o físico que descobriu a contaminação, a produção é a mais recente a abordar o caso. O acidente de Goiânia já foi mencionado em obras como o curta-documental ‘Ilha das Flores’ (1989) e o longa ‘Césio 137 — O Pesadelo de Goiânia’ (1990), de Roberto Pires, além de diversos documentários e livros que tratam dos perigos da exposição radioativa.
Desprotegida e sem conhecimento do risco, a população de Goiânia se tornou vulnerável. A esposa de Devair, Maria Gabriela, levou a cápsula à Vigilância Sanitária, alertando que poderia ser a causa dos adoecimentos. No entanto, a queixa não foi levada a sério imediatamente, o que atrasou a contenção da contaminação.
Durante esse período, milhares de pessoas foram expostas ao césio-137, resultando em consequências graves. Quatro pessoas morreram nos dias seguintes à exposição, incluindo Maria Gabriela e a menina Leide das Neves, de 6 anos, que ingeriu o material após brincar com o pó. Ao longo dos anos, a Associação das Vítimas do Césio 137 reportou que pelo menos 107 pessoas morreram devido a problemas relacionados à radiação, e cerca de 1.600 foram diretamente afetadas pelo acidente.


