O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, anunciou aos deputados da Comissão de Minas e Energia que as diretrizes do leilão de armazenamento de energia serão divulgadas em abril. O leilão, conhecido como ‘leilão de baterias’, visa solucionar o problema do excesso de energia em determinados períodos do dia, o que pode causar instabilidades no sistema elétrico.
Silveira foi questionado por deputados sobre o leilão de armazenamento, especialmente porque na próxima semana ocorrerá um leilão para contratação de usinas térmicas, que são consideradas poluentes. Essas usinas geram energia quando a produção hidrelétrica diminui. Com o armazenamento do excesso de energia gerado por fontes eólica e solar, a necessidade de contratação de térmicas poderia ser reduzida.
O deputado Danilo Forte (União-CE) destacou que o ‘leilão de baterias’ poderia proporcionar sustentabilidade ao sistema, resolvendo a questão da intermitência. Ele também mencionou a necessidade de mais linhas de transmissão para transportar energia do Nordeste para o Sudeste. ‘Se fala muito das renováveis no discurso da COP [Conferência do Clima das Nações Unidas], mas estamos aí com o leilão das térmicas a todo vapor. E cadê os leilões de baterias, que eram para ter saído no ano passado?’, questionou.
Sobre o reajuste nos preços dos combustíveis devido à guerra no Oriente Médio, o ministro afirmou que a Petrobras tem autonomia para agir, mas que o governo está atento aos postos de gasolina que aumentam seus preços sem anúncios de elevações nas refinarias. ‘Se não tivesse acontecido a privatização da BR Distribuidora, nós não estávamos tendo a especulação que nós estamos tendo no setor de combustível, que é criminosa contra brasileiros e brasileiras’, disse.
Silveira também ressaltou a importância do desenvolvimento da energia nuclear, tanto para garantir a oferta de energia para novos datacenters no país quanto para a defesa nacional. Ele afirmou que o Brasil possui a segunda maior reserva mundial de minerais críticos e a sétima reserva de urânio. ‘Eu até compreendo o constituinte de 88, que naquele momento entendeu que o Brasil deveria utilizar o seu potencial nuclear apenas para geração de energia. E eu divirjo hoje, no mundo em que nós vivemos, desse ponto de vista’, opinou.
Em relação à renovação de concessões de distribuição de energia nos estados, Silveira comentou que a Enel, de São Paulo, apesar das críticas sobre sua resposta a recentes apagões na capital, cumpre os índices necessários para renovação de contrato. Ele também informou que as diretrizes do primeiro leilão de energia eólica no mar serão aprovadas no próximo dia 19 em reunião do Conselho Nacional de Política Energética.

