A escolha de Mojtaba Khamenei como novo líder supremo do Irã após a morte de seu pai, Ali Khamenei, representa a continuidade da linha radical do regime dos aiatolás. A nomeação frustra as expectativas de mudança expressas pelo governo dos EUA.
De acordo com a correspondente em Washington, Mariana Janjácomo, a nomeação de Mojtaba “caiu como uma bomba” para o governo Trump, que defendia a possibilidade de uma liderança mais moderada. “Foi exatamente o contrário. Não é uma surpresa para quem entende sobre Oriente Médio”, explicou Janjácomo.
O primeiro discurso de Mojtaba Khamenei, lido por um apresentador da TV estatal iraniana, manteve o tom radical característico de seu pai. O novo líder supremo afirmou que manterá o Estreito de Ormuz fechado e continuará atacando países da região do Golfo que abrigam bases militares americanas.
A sucessão levanta questões sobre a estratégia adotada pelo presidente dos EUA, Donald Trump, que comparou a situação no Irã com a da Venezuela. “Isso põe em xeque todos os recursos, toda a incursão dele, toda a lógica de Donald Trump”, destacou a correspondente.
O analista de internacional, Lourival Sant’Anna, observou que o Irã está determinado a elevar o custo do conflito. Diplomatas das monarquias árabes do Golfo relataram que o país “está duríssimo na negociação”, exigindo reparação de guerra e um compromisso de que nunca mais será atacado.
Embora o Irã não tenha condições de vencer militarmente os EUA e Israel, o país pode causar sérios danos à economia mundial ao restringir o fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz. “O petróleo tem um duplo efeito sobre a economia”, explicou Sant’Anna, acrescentando que isso poderia resultar no “terceiro choque mundial em três décadas” após a crise financeira de 2008-2009 e a pandemia.


