A chegada do morango importado do Egito ao Brasil tem pressionado os produtores da Região Serrana do Espírito Santo, afetando a renda das famílias que dependem dessa cultura. Agricultores afirmam que o produto estrangeiro chega ao país com preços inferiores ao custo de produção local, dificultando a competitividade no mercado.
Em 2022, o Brasil importou pouco mais de 4 mil toneladas de morango egípcio, número que saltou para cerca de 42 mil toneladas no ano passado. O custo médio de produção da fruta na Região Serrana capixaba varia entre R$ 15 e R$ 16 por quilo, enquanto o morango importado entra no Brasil custando cerca de R$ 8 por quilo.
“”Como é que o produtor vai sobreviver tendo custo de R$ 16 e vendendo morango a R$ 10 ou R$ 11, para tentar equilibrar a concorrência?”, questionou o secretário de Agropecuária de Santa Maria de Jetibá, Vanderlei Marquez.”
O produtor Regilvan Barbosa, que cultiva cerca de 14 mil pés de morango em estufa, relatou que a situação se agravou nos últimos 12 meses, com um aumento de cerca de 15% nos custos de produção. Ele afirmou:
“”Quando entraram esses morangos importados, ficou mais difícil para a gente. A região de Santa Maria de Jetibá é grande produtora e a agricultura familiar sente muito.””
O Espírito Santo é o quarto maior produtor de morango do Brasil, com uma produção anual em torno de 10.000 toneladas, concentrada na Região Serrana, que inclui Santa Maria de Jetibá, Domingos Martins, Venda Nova do Imigrante e Afonso Cláudio.
A Secretaria de Estado da Agricultura do Espírito Santo informou que os produtores locais já reduziram os preços para tentar competir com o morango importado, que é vendido principalmente na forma ultra congelada e utilizado na indústria para a fabricação de sucos e polpas. A alíquota de importação é considerada baixa, em torno de 4%, e o governo capixaba enviou um ofício ao Ministério da Agricultura e Pecuária solicitando a análise da elevação da tarifa de importação.
“”O morango do Egito chega ao país por cerca de R$ 7 ou R$ 8 o quilo para a indústria. Esse valor fica abaixo do custo de produção da maioria das propriedades que cultivam morango no Espírito Santo e no Brasil. Então, o que queremos é equilíbrio”, afirmou o secretário estadual de Agricultura, Enio Bergoli.”
A concorrência também afeta cooperativas que comercializam morango congelado. Uma cooperativa em Santa Maria de Jetibá precisou reduzir o valor pago aos agricultores para manter a competitividade. O diretor comercial Geovane Schulz explicou que o clima do Egito proporciona uma qualidade superior ao morango, o que impacta os preços.
Atualmente, os produtores recebem entre R$ 2,50 e R$ 5 por quilo, uma queda em relação aos R$ 7,50 que recebiam anteriormente. Essa situação desestimula novos plantios, levando a desistências para 2026.
Pesquisadores do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper) recomendam que os agricultores busquem diversificar suas lavouras para reduzir riscos econômicos. Contudo, essa transição pode ser demorada e complicada para aqueles que dependem exclusivamente do morango.


