Jürgen Habermas, filósofo que moldou o discurso da Alemanha do pós-guerra, morreu neste sábado (14), aos 96 anos, em Starnberg, na Alemanha. A morte foi confirmada pela editora do filósofo, Suhrkamp.
Ao longo de sete décadas, suas intervenções públicas, desde críticas ao pensamento fascista na década de 1950 até alertas contra o ressurgimento do militarismo e do nacionalismo, influenciaram o país em momentos críticos.
Nascido em 18 de junho de 1929 em Düsseldorf, Habermas enfrentou dificuldades de fala devido a cirurgias na infância. Ele foi criado em um lar protestante e seu pai, economista, filiou-se ao partido nazista em 1933, embora como um “simpatizante passivo”. Habermas ingressou na Juventude Hitlerista, mas conseguiu evitar o alistamento na Wehrmacht ao se esconder da polícia militar.
Habermas ganhou destaque como jornalista e acadêmico na década de 1950, influenciado pela Escola de Frankfurt. Sua tese de livre-docência abordou o desenvolvimento da esfera pública, refletindo sobre a liberdade de discussão política na Alemanha ocidental após a ditadura nazista.
O filósofo iniciou um debate sobre o Holocausto em 1986, defendendo a singularidade das atrocidades do Terceiro Reich e a importância da “Vergangenheitsbewältigung” para a identidade do país. A famosa cultura de memória da Alemanha, que surgiu desse debate, enfrenta novos desafios com o partido de ultradireita AfD minimizando os crimes nazistas.
Habermas também se tornou um defensor da integração europeia como uma forma de segurança contra o nacionalismo. Em suas últimas intervenções, ele expressou preocupações sobre a guerra na Ucrânia e o militarismo crescente na Alemanha, temendo que a Europa perdesse sua credibilidade geopolítica.
““O que me fascinou durante a visita foi esse encontro com um pensador ainda muito lúcido, em quem vi a personificação do país em que cresci, mas que já não existia”, disse Philipp Felsch, biógrafo de Habermas.”

