O Irã confirmou, na tarde desta terça-feira (17), a morte de Ali Larijani, chefe do Conselho Supremo de Segurança do país, em um ataque realizado por Israel. O bombardeio teria ocorrido em Teerã na noite anterior, segundo informações do jornal israelense Times of Israel.
Larijani era uma das figuras mais influentes da política iraniana, com formação em filosofia e uma carreira que incluiu cargos como ministro da Cultura e presidente do Parlamento entre 2008 e 2020. Em 2025, assumiu o Conselho Supremo de Segurança Nacional, onde coordenava estratégias de defesa e política nuclear, sendo considerado o principal negociador do país.
Ele foi nomeado para o cargo pelo presidente Masoud Pezeshkian e mantinha proximidade com Ali Khamenei, líder supremo do Irã que faleceu no início de ataques conjuntos entre Estados Unidos e Israel. Relatos indicam que Larijani se reuniu com Khamenei poucas horas antes de sua morte.
Apesar de ser uma figura proeminente no regime, Larijani era visto como moderado, especialmente em sua postura em relação aos Estados Unidos e a Israel durante a guerra. Sua trajetória pública começou nos anos 1980, ao ingressar na Guarda Revolucionária Islâmica, e ao longo dos anos acumulou funções relevantes no governo e no Legislativo.
Em 2007, Larijani deixou o cargo de negociador nuclear devido a divergências com o então presidente Mahmoud Ahmadinejad, mas continuou a ser uma voz influente nas discussões sobre o programa nuclear iraniano. Nos últimos anos, passou a ser considerado um conservador pragmático, aberto a negociações internacionais, especialmente após a morte de Khamenei.
Larijani supervisionava temas sensíveis, como a política nuclear e a resposta a ataques externos, e seu nome era frequentemente mencionado como um possível interlocutor em negociações com o Ocidente. Ele vinha de uma das famílias mais influentes do Irã, sendo filho do aiatolá Mirza Hashem Amoli, e sua família era comparada aos “Kennedys do Irã” devido à sua presença constante em cargos de poder.
Casado com a filha de Morteza Motahari, um dos principais pensadores do movimento liderado por Khomeini, Larijani tinha laços diretos com a elite ideológica da Revolução Islâmica. Apesar de seu perfil pragmático, ele adotou posições duras internamente, apoiando a repressão a protestos e intensificando o discurso contra países ocidentais após ataques recentes.


