Morte de Khamenei reacende ideia de vingança contra lideranças americanas

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

A morte do líder supremo Ali Khamenei reacendeu no Irã a ideia de vingança contra lideranças americanas. A analista de Internacional, Fernanda Magnotta, destacou que a declaração do Chefe de Segurança iraniano insinuando ataques aos Estados Unidos trouxe à tona novamente a tensão entre os dois países.

Magnotta explicou que “essas possibilidades ficaram muito mais afloradas depois que, em 2022, o governo americano praticou um atentado que levou à morte uma figura muito importante das forças iranianas, o Suleimani”. Após esse episódio, o Irã hasteou uma “bandeira da vingança” e prometeu retaliação, sugerindo que a morte de um alto oficial deveria ser vingada com a morte de outro alto oficial.

Desde então, ocorreram diversas investigações sobre possíveis planos de atentados contra autoridades americanas. “O mais importante deles foi conduzido pelo Departamento de Justiça, em que um membro da Guarda Revolucionária foi acusado de ter buscado matadores de aluguel para assassinar o conselheiro de Segurança Nacional, John Bolton”, detalhou a analista.

Entre 2023 e 2024, surgiram outras investigações envolvendo diferentes figuras políticas americanas, como Mike Pompeo e Brian Hook. Magnotta afirmou que até 2024 falava-se pouco sobre planos concretos contra Donald Trump, mas que agora, com a morte de Khamenei, a ideia de vingança poderia ser um caminho viável.

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A analista avaliou que é possível o Irã executar um atentado contra uma autoridade americana, mas considera que não seja provável. “O país possui recursos e mecanismos institucionais diretos e indiretos para eventualmente operar algum tipo de atentado, principalmente através das forças Quds, consideradas a unidade de elite da Guarda Revolucionária Islâmica”, explicou.

Magnotta destacou que, embora a hostilidade seja concreta, o risco de um atentado direto neste momento é baixo. Ela ressaltou que existem obstáculos significativos, como a proteção da inteligência americana, especialmente reforçada no contexto de guerra, com protocolos do serviço secreto para interceptar comunicações e monitorar agentes estrangeiros.

Além da questão operacional, Magnotta mencionou o cálculo político envolvido: “Isso representaria sem dúvida um risco de guerra ampliada, um risco de guerra total, e muita gente até diria que uma ação nessa direção, atacar um presidente dos Estados Unidos de maneira letal, poderia ser estrategicamente uma ação suicida para o Irã”.

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