A morte da soldado da Polícia Militar Gisele Alves Santana, ocorrida em fevereiro de 2026, levanta questionamentos sobre a versão de suicídio apresentada pelo seu marido, o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto.
Em depoimento à Polícia Civil, Geraldo afirmou que estava tomando banho no momento do disparo. No entanto, os primeiros bombeiros que chegaram ao local relataram que ele estava seco e não havia marcas de água no chão do apartamento.
Segundo o tenente-coronel, ele entrou no banheiro por volta das 7h e, um minuto depois, ouviu um barulho que pensou ser de uma porta batendo. Ao sair do banheiro, encontrou Gisele caída na sala. Um sargento do Corpo de Bombeiros, com 15 anos de experiência, observou que Geraldo estava de bermuda, sem camisa e completamente seco.
O sargento também notou que não havia pegadas molhadas que indicassem que o oficial havia saído do banho, e que o chuveiro estava ligado, mas não havia poças de água no chão ou no corredor. Um tenente da PM, que foi o primeiro a chegar ao local, corroborou que nem Geraldo nem Gisele aparentavam estar molhados.
Outro aspecto que chamou a atenção da equipe de resgate foi a conduta do tenente-coronel. O sargento do Corpo de Bombeiros relatou que não viu desespero por parte de Geraldo, que falava calmamente ao telefone e questionava o atendimento dos bombeiros, insistindo para que Gisele fosse levada ao hospital rapidamente.
Os socorristas notaram que o oficial não apresentava marcas de sangue no corpo ou nas roupas, o que indicaria que ele não tentou prestar socorros à esposa. Além disso, Geraldo fez uma ligação para o desembargador Marco Antônio Pinheiro Machado Cogan, do Tribunal de Justiça de São Paulo, que chegou ao prédio às 9h07 e subiu para o apartamento com o tenente-coronel.
A presença do desembargador no local gerou questionamentos por parte da família da policial. O advogado da família, José Miguel da Silva Junior, afirmou que o desembargador deve explicar sua presença, já que foi a primeira pessoa acionada após o disparo.
Às 9h18, o desembargador reapareceu no corredor e, às 9h29, o tenente-coronel foi visto com outra roupa. Em nota, a defesa de Geraldo Neto afirmou que ele não é investigado e tem colaborado com as autoridades. A defesa do desembargador informou que ele foi chamado como amigo do tenente-coronel e que prestará esclarecimentos à polícia judiciária. O caso, inicialmente registrado como suicídio, continua sob investigação da Polícia Civil e da Corregedoria da Polícia Militar.


