Morte da PM Gisele: defesa alega suicídio e família aponta feminicídio; investigação prossegue

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

Peritos e investigadores se reuniram no dia 11 de março para discutir o caso da PM Gisele Alves Santana, que foi encontrada morta com um tiro na cabeça em 18 de fevereiro, em São Paulo.

A defesa do tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto mantém a versão de que Gisele cometeu suicídio. O advogado Eugênio Malavasi, que representa o coronel, afirmou: “A defesa do tenente-coronel aguarda serenamente o desenrolar da apuração da Polícia Civil com a juntada de todos os laudos e externa a confiança na palavra do coronel: de que trata-se de suicídio”.

Por outro lado, o advogado da família de Gisele, José Miguel da Silva Júnior, argumenta que a morte foi um feminicídio cometido pelo próprio marido. Ele declarou: “Eu não tenho dúvidas que ele [coronel Geraldo] matou ela [Gisele]. Mas cabe a polícia provar”. A investigação, que inicialmente tratava o caso como suicídio, foi reclassificada como morte suspeita pela Polícia Civil.

A delegacia responsável ainda aguarda resultados de laudos complementares da Polícia Técnico-Científica para concluir o inquérito e determinar se houve suicídio ou crime. O coronel se afastou do trabalho após a morte de Gisele, mas participou da reconstituição do caso, realizada em 23 de fevereiro.

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O advogado do coronel pretende que ele preste novo depoimento no 8º Distrito Policial (DP) após a conclusão dos exames periciais. Um médico que atendeu o casal dias antes da morte de Gisele será chamado como testemunha.

O ex-marido de Gisele também prestou depoimento no DP e afirmou que a soldado “nunca pensou em cometer suicídio”. Ele mencionou que a filha do casal deverá ficar sob sua guarda. A família de Gisele contesta a hipótese de suicídio, alegando que ela vivia uma relação tóxica com o coronel.

A Justiça decidiu redistribuir o caso para a Vara do Júri, considerando indícios de crime doloso contra a vida. Laudos periciais indicaram marcas de unhas e arranhões no pescoço de Gisele, além de lesões no rosto e sinais de disparo à queima-roupa.

Outros elementos que levantaram dúvidas sobre a versão do coronel incluem o fato de ele ter telefonado para um desembargador amigo antes da chegada das autoridades e o estado seco de seu corpo quando as autoridades chegaram. A investigação não descarta o suicídio, mas também apura a possibilidade de feminicídio.

Laudos já concluídos incluem o laudo necroscópico, que identificou a causa da morte como traumatismo decorrente de disparo encostado, e o laudo residuográfico, que não detectou pólvora nas mãos de Gisele ou do coronel. Laudos pendentes incluem o toxicológico e o do local da morte.

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A Polícia Militar também instaurou um Inquérito Policial Militar (IPM) após receber denúncias de que o casal vivia uma relação marcada por ameaças e instabilidade emocional. As investigações continuam em andamento.

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